O Frankincense ou óleo de Olíbano (em árabe, Luban) é uma seiva obtida a partir de uma das quatro árvores do gênero Boswellia, particularmente a Boswellia sacra, que cresce nas regiões semiáridas montanhosas de Dhofar, a 40 quilômetros ao norte da cidade de Salalah em Omã, no extremo sul da Península Arábica. Os invernos quentes e verões chuvosos daquela região criam as condições perfeitas para a árvore, que cresce selvagem por todo o lugar.

Frankincense, mais conhecido no ocidente como incenso e a mirra tem sido extraído, usado e vendido na região por mais de 5.000 anos, e por um tempo, tornou o sul da Arábia, o lugar mais rico do planeta. Heródoto escreveu sobre o incenso produzido nesta região, mas advertia que a goma era perigosa de colher por causa das serpentes venenosas que viviam nas árvores. A resina também foi mencionada por Theophrastus e por Plínio, o Velho em A História Natural (em latim: Naturalis Historia).

O alto custo de importação do incenso, devido à sua raridade e às dificuldades de transporte, levou alguns reis egípcios a tentar cultivar as plantas em suas terras. A rainha Hatshepsut, que governou no início do século 15 a.C., enviou uma expedição real com cinco navios para a Terra de Punt(Somália), a fim de trazer sementes e plantas de incenso e mirra. A descrição desta expedição, adorna as paredes de seu templo em Deir el-Bahri.

A seiva seca e aromática foi transportada por caravana através do deserto do Sinai até o Egito, através da chamada “Rota do Incenso” ou “Rota do Perfume”, onde ao chegar em Petra, se dividia, com uma rota que ia para Damasco e outra ao litoral de onde eram carregados em navios e navegava para destinos distantes através do Mar Mediterrâneo. A produção mundial atualmente vem da Somália e do Iêmen, embora o incenso de Omã, em particular de Dhofar, é considerado de melhor qualidade.

O incenso e a mirra eram usados da Europa até a Ásia e introduzidos na Europa pelos francos cruzados. Os gregos, romanos, egípcios, israelitas e muitas outras culturas usaram estes perfumes como parte de suas cerimônias religiosas e em rituais fúnebres, como material de embalsamento, e como uma oferenda ao falecido. O incenso era um dos três presentes trazidos ao recém nascido Jesus Cristo pelos três reis magos, de acordo com o Evangelho de Mateus.

Além de suas propriedades aromáticas, o incenso tem muitos usos práticos. A fumaça do incenso repele os mosquitos e outros insetos voadores. Certos tipos de resina frankincence são comestíveis, e tem sido usado para curar uma grande variedade de doenças, incluindo úlceras, hipertensão, náuseas, indigestão, tosse torácica, febre e na recuperação pós parto.

Passado de geração em geração, a forma tradicional de extração de Frankincense é  fazer pequenas incisões na casca, fazendo com que a árvore segregue uma seiva leitosa que deixam secar e endurecer, chamadas “lágrimas”. Existem várias espécies e variedades de árvores de frankincense, cada uma produzindo um tipo ligeiramente diferente de seiva. Diferenças no solo e no clima criam ainda mais diversidade de resinas, mesmo dentro da mesma espécie. As árvores começam a produzir resina quando têm cerca de oito a dez anos de idade e as extrações são feitas duas a três vezes por ano. Praticamente todo o incenso é tirado de árvores que crescem na natureza, devido a dificuldade de cultivar as árvores.

Existem muitas variedades de incenso, escolhidas manualmente e classificadas de acordo com a cor, pureza e aroma. O incenso conhecido como Hojari é considerado de mais alto grau. A resina quando mais branca seja sua cor, melhor o grau. As variedades mais amareladas são as menos valorizadas, e geralmente encontradas na Somália. A Igreja Católica adquire a maior parte da produção do chamado incenso Hojari.

O comércio de incenso floresceu entre o século 13 a.C. ao século 4 d.C, tornando os comerciantes árabes alguns dos mais ricos do mundo. Mas uma vez que o cristianismo se tornou a religião dominante, a cremação foi substituída por enterros, que levaram a uma diminuição significativa na demanda por incenso. O uso de cosméticos para o cuidado do corpo também diminuiu drasticamente no mundo cristão, que não olhava com bons olhos a luxúria e a indulgência nos prazeres corporais.

O comércio de perfumes morreu lentamente e muitas cidades ao longo das rotas comerciais foram ficando desertas. A superexploração da resina levou a diminuição na quantidade de árvores de Frankincense, bem como a queima, o pastoreio e os ataques do besouro-chifrudo. Um dos locais originais onde esta árvore florescia e ainda floresce, é Wadi Dawkah. Este vale seco tem uma estimativa de 5.000 árvores, sendo a mais antiga com mais de 200 anos de existência, e a seiva sendo recolhida pelas tribos locais.

As árvores de incenso de Wadi Dawkah, juntamente com o remanescentes do oásis da caravana de Shisr (originalmente Wubar) e os assentamentos abandonados de Khor Rori (originalmente Sumhuram) e Al-Balid (originalmente Zafar) foram inscritos na lista de Patrimônio da Unesco como a “A Terra do Frankincense” em 2000. Atualmente “Wadi Dawkah Frankincense Park” é uma área de aproximadamente quatro quilômetros de extensão no deserto onde muitas das árvores de incenso se concentram e outras estão sendo plantadas no esforço de aumentar a produção da resina.

Pesquisas recentes mostram que Frankincense contém um agente que impede a propagação do câncer, e assim pode reacender sua popularidade. De acordo com o imunologista Mahmoud Suhail, o Frankincense redefine o código de DNA que foi corrompido por células cancerosas e reprograma o código correto de volta para dentro da célula. Frankincense também efetivamente separa os núcleos das células cancerosas de seus corpos citoplasma o que impede as células cancerosas de se reproduzirem devido aos seus códigos de DNA corrompidos. Já que Frankincense ataca apenas as células malignas, deixando as células saudáveis sozinhas, isso pode revolucionar os protocolos de tratamento do câncer. Atualmente, os cientistas estão trabalhando para isolar o agente dentro de Frankincense que combate o câncer e os ensaios estão sendo realizados para identificá-lo.

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“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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