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Montserrat, a tragédia na Ilhas das Esmeralda

Montserrat, a tragédia na Ilhas das Esmeralda

A pequena ilha caribena de Montserrat, apelidada de “Ilha Esmeralda do Caribe“, por sua semelhança com a costa irlandesa e devido à ascendência de alguns de seus habitantes, faz parte da cadeia insular das Pequenas Antilhas, nas Índias Ocidentais. Tem aproximadamente dezesseis quilômetros de comprimento e onze quilômetros de largura e até 1995, tinha uma população de 11.000 habitantes.

A vegetação é característica das ilhas tropicais do Caribe com coqueiros e plantas da flora típica. O clima é tropical e com bastante ocorrências pluviométricas na maior parte do ano, sendo sujeito a eventuais furacões no período entre julho e novembro. A ilha foi descoberta em 1493 por Cristovão Colombo e é território britânico desde 1632, e tem administração própria desde 1956.

Montserrat, a tragédia na Ilhas das Esmeralda

Foto AP Photo / Kevin West

Em 18 de julho de 1995, o vulcão Soufrière Hills (que significa Montanha de Enxofre) com 915 metros de altitude, anteriormente adormecido, voltou a ativa com força total, acabando com a tranquilidade da ilha. As erupções foram rápidas e mortíferas. O perigo estava na forma de uma ventania terrível, jorrando da cratera entre 60 e 200 quilômetros por hora.

Aí, não houve como evitar o risco, pois as cinzas, poeira e gases, a mais de 500 graus Celsius, espalham-se em direções imprevisíveis, com impulso bastante para derrubar paredes de 1 metro de espessura. Pior: ao grudar e solidificar sobre a pele, transformam cidadãos em múmias instantâneas. Foi esse tufão vulcânico que expulsou os habitantes desse paraíso tropical que é Montserrat, e em agosto daquele ano, tiveram que largar tudo e fugir.

Montserrat, a tragédia na Ilhas das Esmeralda

Na ilha há quatro vulcões de idade diferentes (matriz): Silver Hills, Center Hills, o vulcão ativo Soufrière Hills e South Soufrière Hills.

A capital Plymouth, começou a ser abandonada em abril de 1996, mas milhares de habitantes se recusaram a partir até serem forçadas pelas autoridades, em maio de 1997. Foi bem a tempo, pois em 25 de junho, Plymouth seria completamente arrasada e até a sede do governo teve que ser transferida para Salém, pequena vila distante do perigo. Mesmo assim, resultou na morte de 19 pessoas. O aeroporto da ilha estava no caminho do fluxo principal, e também foi completamente destruído. As erupções despejaram seis metros de cinzas sobre capital Playmout, bem como, dois terços da população foram forçados a deixar a ilha e metade dela, se transformou em zona restrita.

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Vista aérea das ruínas da capital da Plymouth, após a erupção do vulcão Soufrière Hills, 20 de agosto de 1997. (Foto: AP Photo | Kevin West)

A cratera do vulcão Soufrière Hills foi formada a 4.000 anos atrás, e desde o século 17,  não apresentava qualquer erupção, apesar de nos anos 1966 e 1967 ter sido registrada alguma atividade sísmica. A atividade vulcânica continua atualmente, afetando principalmente as vizinhanças de Plymouth, incluindo as docas do porto, e o lado oriental da ilha, em torno do antigo Aeroporto W.H.Bramble, cujos escombros foram enterrados pelas correntes de lava, resultantes da atividade vulcânica de 11 de fevereiro de 2010.

Apesar de Plymouth ser ainda considerada a capital do território, uma nova cidade e porto foram construídas em Little Bay, no noroeste da ilha. Atualmente, a ilha tem cinco mil habitantes e a antiga capital, Plymouth, permanece uma cidade-fantasma. Mais de metade da ilha está abandonada e parte dos edifícios continuam enterrados nas cinzas. Especulasse que dentro de 15 anos, a área possa ser habitada novamente.

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Esta foto foi tirada 15 anos mais tarde, em 24 de maio de 2012. A cidade fantasma de Plymouth, na ilha caribenha de Montserrat. (Foto por Pat Hawks)

O Soufrière pertence a uma categoria de vulcões que não derrama grandes volumes de lava. Ele é do tipo que ejeta colunas pesadas de cinzas, poeira, vapor e gases de enxofre. Em novembro de 1996, deu a primeira demonstração de seu estilo, com um espetáculo de detonações que durou 46 minutos sem interrupção. Em junho de 1997, passou também a produzir bombas, que são fragmentos de rocha aquecidos a 800 graus Celsius e arremessados a seis quilômetros de altura, e com uma velocidade de 500 quilômetros por hora.

Mas o Soufrière também criou seus rios de lava, e o maior deles chegou a ter 500 metros de largura. Em alguns lugares, a torrente cavou buracos de 25 metros de profundidade e, em outros, acumulou-se e endureceu na forma de blocos de até 15 metros de altura. De maneira geral, porém, a lava comportou-se bem: correu direto para o mar. Não foi preciso direcioná-la com trincheiras e barricadas.

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Vulcão Soufrière Hills emite cinzas e vapor, perto de Salem, em 25 de agosto de 1997. (Foto: AP Photo | John McConnico)

Segundo os especialistas, a lava do Soufrière contém pouco silício e deveria correr bem liquefeita. Mas em Montserrat as rochas não estavam totalmente fundidas: uma parte da torrente havia sido apenas amolecida pelo calor. Como resultado, a lava ganhou um aspecto espesso, rolando lentamente encostas abaixo e solidificando-se relativamente rápido. Em resumo, o que as rochas das profundezas fizeram foi uma cirurgia plástica na ilha, recriando toda a geografia de Monserrat.

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Igreja no centro de Plymouth, em 28 de agosto de 1997 (Foto: AP Photo | John McConnico)

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Um helicóptero da Marinha Real HMS Liverpool, sobrevoando a paisagens apocalípticas, 22 de agosto de 1997 (Foto: Reuters | Ho New)

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Dolorosa solidão, na capital Plymouth, em 28 de agosto de 1997. (Foto: Reuters | Colin Braley)

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Edifício incendiado do banco da cidade, 04 de agosto de 1997. (Foto: AP Photo | Kevin West)

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Em algumas partes da cidade, acumulou uma camada de cinzas, de até 3 metros, em 28 de agosto de 1997. (Foto: AP Photo | John McConnico)

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Locadora de vídeo na capital da ilha, em 28 de agosto de 1997. (Foto: AP Photo | John McConnico)

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Quase próximo ao mar, dá para ver o acumulo de cinzas, pela cabine de telefone enterrada, 02 de março de 1998. (Foto: AP Photo | Gregory Bull)

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Esta foto é de 11 de outubro de 2002. Casas abandonadas ao lado do fluxo piroclástico. (Foto: AP Photo | Tomas van Houtryve)

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Moradores limpas as lápides do cemitério Ashen, 15 de julho de 2003 (Foto AP Photo | Tomas van Houtryve)

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Turistas canadense em passeio a ilha, na plataforma de observação fora da zona de exclusão da ilha de Montserrat. Vulcão Soufrière Hills continua em atividade, 4 de Maio de 2006. (Foto: AP Photo | Brennan Linsley)

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Cidade de Plymouth, 05 de maio de 2006. Quase 10 anos após a erupção do Soufrière Hills. (Foto: AP Photo | Brennan Linsley)

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A antiga capital da ilha de Montserrat, está quase completamente enterrada sob uma espessa camada de cinzas. Aqui e ali, sobressaem alguns restos de edifícios, em 5 de maio de 2006. (Foto: AP Photo | Brennan Linsley)

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Nova erupção do Soufrière Hills, 08 de janeiro de 2007. (Foto: AP Photo | Wayne Fenton)

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Imagem de satélite de 2010. Ela mostra parte da pista da tira aeroporto local. (Google Fotos, Inc.)

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Outra foto com vista para o antigo aeroporto. O mesmo lugar, mas vista do chão, em 1 de Maio de 2012. (Foto por Pat Hawks)

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Era uma vez, um paraíso turístico. Piscina com vista para o mar do Caribe, que está quase completamente enterrado por cinzas vulcânicas. (Foto por Pat Hawks)

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A erupção de Soufrière Hills em 23 de janeiro de 2010. (Foto: AP Photo | Wayne Fenton)

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Antigas casas na encosta do vulcão em fúria, 24 de maio de 2012. (Foto por (Foto por Pat Hawks)

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Atualmente, na metade sul da ilha, a entrada é proibida e os infratores poderão ser presos e multados. Estimasse que esta parte de Montserrat, ficará inabitável por pelo menos mais 15 anos. (Foto (Photo by Pat Hawks)

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Hotel abandonado perto da capital Plymouth em 30 de Abril de 2012. (Foto (Photo by Pat Hawks)

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Os corpos das vítimas de 26 de Junho de 1997 sendo retirados da aldeia Trants. (Foto: AP Photo | Kevin West)

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Erupção de 19 de agosto de 1997. (Foto: AP Photo | Kevin West)

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Plymouth, antiga capital de Montserrat, agora é uma cidade fantasma. Foto tirada 21 de agosto de 1997. (Foto: Reuters | Colin Braley)

Fontes: 1 2 3

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1 Comentário

  1. Andréa Melo

    17 de julho de 2016 às 23:39

    Artigo muito interessante. Vou utilizar nas minhas aulas de Geografia.

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