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Craco, a cidade abandonada

Craco, a cidade abandonada

Craco (Graculum em latim) é uma comunidade italiana da região da Basilicata, província de Matera. O centro histórico fica no topo de um penhasco de 400 metros com vista para o vale do rio Cavone. A cidade medieval foi abandonada em 1975, devido a um deslizamento de terra, transformando-se em uma cidade fantasma. Hoje, o velho aglomerado tornou-se um destino turístico e um popular local de filmagem. Foi a consequência indesejada de uma falha geológica contra a qual não podia lutar: Craco está localizada sobre uma colina de areia e argila que não resistiria o mínimo tremor durante muito tempo. Hoje, embora as autoridades locais tenham feito tentativas para reabilitar a cidade como uma atração turística, permanece misteriosamente abandonada.

As origens de Craco remontam ao século VIII a.C, quando era chamada de Montedoro. É provável que tenha oferecido abrigo para as colonos gregos de Metaponto, quando eles se mudaram para fugir da malária. Craco foi subsequentemente um centro bizantino. O primeiro testemunho sobre o nome da cidade remonta a 1060, quando o território foi sob a autoridade do arcebispo Arnaldo de Tricarico, que lhe deu o nome de Graculum, que significa “pequeno campo arado”. Erberto, talvez de origem normanda, foi o primeiro senhor feudal entre 1154 e 1168 e a estrutura do centro histórico remonta a este período. Durante o reino de Frederico II, Craco foi um importante centro militar estratégico, sendo a torre do castelo usada como prisão. Em 1799, durante a República Napolitana, a população aderiu aos ideais republicanos e se rebelou contra o poder feudal mas a revolta foi reprimida com violência após a restauração bourbônica.

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Como a maioria dos centros em Basilicata, a cidade foi envolvida no fenômeno do brigantaggio. Durante a ocupação napoleônica, foi saqueada por quadrilhas de bandidos o 18 de julho de 1807, que roubaram e mataram os senhores pró franceses. Em 1861, durante a reação bourbônica após a unificação da Itália, Craco foi invadida pela armada do famoso brigante Carmine Crocco.

A população de Craco cresceu de 450 em 1277 para 2.590 em 1561, com uma média de cerca de 1.500 nos séculos seguintes. A construção do Mosteiro de São Pedro em 1630 ajudou a estabelecer uma ordem monástica permanente. Em uma comunidade agrícola construída em grande parte da produção de grãos, óleo, legumes, vinho e algodão, o mosteiro ajudou a impulsionar a economia através da introdução da ciência e da religião. No entanto, em 1656 a praga atingiu Craco, matando centenas de pessoas e reduzindo a população de forma significativa. Perto do final do século 19, a cidade atingiu os seus limites máximos de expansão. A fome severa devido às condições agrícolas pobres causou uma migração em massa da população de Craco, cerca de 1.300 habitantes para a América do Norte entre os anos de 1892 e 1922.

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Sobrevivendo por mais de mil anos, às pragas, ladrões e bandidos, mas finalmente sucumbiu a um desastre natural quando deslizamento de terra ocorreram durante a década de 1950 à 1970. Devido a um deslizamento de terra de grandes proporções, em 1963 a cidade começou a ser evacuada e uma parte dos habitantes se mudou para o vale, em Craco Peschiera. Durante anos, os cidadãos deslocados foram forçados a viver em cidades de tendas e barracas, enquanto o governo se esforçou para criar opções de moradia para os atingidos.

O desastre foi causado pelas obras de infra estrutura, na construção de um aqueduto nos anos 40, seguido de infiltração de água, decisões infelizes no uso da terra e a erradicação das poucas árvores que sustentavam a terra. Em 1972, uma enchente piorou ainda mais a situação, evitando um possível repovoamento do centro histórico e, após o sismo de 1980, Craco antiga foi completamente abandonada.

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Apesar das precárias condições de vida, muitos dos “Crachesi” (habitantes de Craco) eram ainda muito ligados à sua bela cidade medieval e se recusaram a sair. Na década de 1950, as condições do solo da cidade se deteriorou ainda mais, causando mais deslizamentos de terra e fazendo a cidade e os edifícios muito perigosos para se viver. Terremotos periódicos foram uma causa secundária de destruição.

Alguns filmes que usaram Craco como cenário: A Loba, em 1953 de ALberto Lattuada; Cristo parou em Eboli, 1979, de Francesco Rosi; Três Irmãos, 1981, de Francesco Rosi; O Rei David, em 1985 de Bruce Beresford; Sua Santidade e os Homens, em 1986 de Robert M. Young; A Paixão de Cristo, 2004 de Mel Gibson; The Nativity Story em 2006, de Catherine Hardwicke; 007 – Quantum of Solace, 2008, de Marc Forster. Carco também foi escolhida entre os locais de filmagem para a telenovela O Rei do Gado (1996-1997) de Luiz Fernando Carvalho.

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Em 2010, iniciou-se uma tentativa de melhorar o vilarejo, o que levou à criação do Parque Museu da Cidade Velha de Craco, visitado por poucos turistas corajosos. Algumas rotas pelas ruas do centro da cidade foram colocadas em segurança para que os visitantes possam descobrir o que resta da antiga cidade. No centro de Craco ainda resistem as paredes da igreja dedicada a São Nicolau, embora os tesouros do seu interior tenham sido vítimas de saques. Existem ainda vestígios de afrescos que datam do século XVII e XVIII, além de um órgão antigo.

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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