Guerra

Hiroo Onoda, soldado japonês que levou a Segunda Guerra Mundial até 1974

Hiroo Onoda, soldado japonês que levou a Segunda Guerra Mundial até 1974

Hiroo Onoda aos 22 anos

Hiroo Onoda (1922-2014) com 20 anos trabalhava numa empresa na China, quando o exército japonês começou a convocar homens para lutar na Segunda Guerra Mundial. Ele imediatamente desistiu do emprego e foi para o Japão. Em um certo momento de seu treinamento, foi escolhido para ser treinado na escola de Nakano, escola da inteligência do exército imperial japonês. Estava sendo treinado como oficial de inteligência no curso de comando “Futamata” e preparado para espionar e sabotar os esforços dos inimigos do Japão, se especializando em guerrilha. Em 26 de dezembro de 1944, aos 22 anos, Hiroo foi enviado para a Ilha de Lubang nas Filipinas e as ordens de seu comandante Major Yoshimi Taniguchi eram simples:

Você está absolutamente proibido de morrer por suas próprias mãos. Pode demorar três anos, pode demorar cinco anos, mas aconteça o que acontecer, nós vamos voltar até você. Até lá, enquanto tiver um soldado, você deve liderá-los. Você pode ter que viver de cocos. Se for o caso, viva de cocos! Mas sob nenhuma circunstância, você deve dar sua vida voluntariamente.

Foi lhe ordenado fazer qualquer coisa ao seu alcance para dificultar ataques do inimigo à ilha, inclusive destruir o campo de pouso e o cais do porto. Em fevereiro de 1945, a ilha foi invadida e conquistada por tropas inimigas, fazendo os soldados japoneses restantes se dividirem em pequenos grupos de três ou quatro e se esconderem na selva densa. A maioria desses grupos foram rapidamente mortos ou capturados. Hiroo se escondeu nas montanhas com outros três soldados, Yuichi Akatsu, Siochi Shimada, e Kinshichi Kozuka, e continuaram combatendo as tropas inimigas da melhor forma possível.

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Em outubro de 1945, após roubar uma vaca de uma fazenda local, eles encontraram folhetos dizendo que a guerra havia terminado em 15 de agosto daquele ano e que os holdouts (como eram chamados os soldados japoneses que se negavam a se render) poderiam descer as montanhas e voltar para o Japão. Após discutirem entre eles, chegaram a uma conclusão que aquilo só poderia ser propaganda aliada tentando fazê-los se entregarem.

Tempos depois, viram um Boeing B-17 soltar folhetos pela selva, e os folhetos com ordens diretas do General Yamashita, para que os soldados japoneses restantes largassem as armas e se entregassem as autoridades locais, pois a guerra havia acabado. Sem terem conhecimento sobre a destruição das cidades de Hiroshima e Nagasaki por bombas atômicas e a rendição japonesa, eles não conseguiam acreditar na autenticidade das informações daqueles folhetos, então mais uma vez chegaram a conclusão que os aliados estavam ficando cansados de suas táticas bem sucedidas de guerrilha e tentando engana-los, fazendo-os se entregarem. Outras tentativas de persuadir os soldados japoneses a baixarem as armas foram feitas: folhetos com manchetes de jornais japoneses informando a rendição foram espalhados, bem como também fotos e cartas de familiares dos soldados.

Hiroo Onoda, soldado japonês que levou a Segunda Guerra Mundial até 1974

Nario Suzuki e Hiroo Onoda

Cinco anos se passaram e os quatros soldados continuaram a cumprir seu dever, de lutar pelo Japão, custe o que custar. Eles observaram a mudança no comportamento das pessoas nas aldeias próximas, com mais pessoas em roupas civis e até mesmo japoneses tentando encontra-los, mas depois de tanto tempo sozinhos na selva, suas mentes começaram a pregar peças. Yuichi Akatsu decidiu abandonar o grupo e em 1949 e depois de seis meses sozinho na selva, se rendeu ao ele pensou ser tratar de tropas aliadas.

Devido a isso, o grupo de Hiroo se tornou mais cauteloso e se esconderam mais para dentro da selva. Em 1954, Siochi Shimada foi morto na praia de Gontin por um grupo de buscas e assim, Hiroo e Kinischi Kozuka viveram 17 anos sozinhos na selva e em outubro de 1972, Kinischi foi morto por patrulhas filipinas, quando eles estavam roubando e destruindo um armazém de arroz.

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Hiroo Onoda ficou completamente sozinho, e se tornou uma figura lendária na região, recusando todas as tentativas de convencê-lo de que a guerra tinha acabado com a rendição do imperador. Em 1960, Hiroo Onoda foi declarado legalmente morto no Japão. Para sobreviver, Hiroo continuou fazendo o que fez nos últimos 27 anos após o término da guerra, roubando arroz e bananas de moradores locais, e abatendo vacas para obter carne. A ilha era então habitada por 5.000 filipinos, que sentiram na pele cada manobra dos japoneses. “Defendemos uma faixa de terra onde era mais fácil o nosso Exército entrar. Quem se aproximasse levava tiro. Ficamos ali esperando reforços, que nunca apareceram“, diz Hiroo Onoda.

Em 1974, um estudante de jornalismo, Nario Suzuki decidiu viajar pelo mundo. Entre sua lista de coisas a fazer em suas viagens estava: encontrar o Tenente Hiroo Onoda, um panda e o Abominável Homem das Neves. Em fevereiro do mesmo ano, quando literalmente milhares de outras pessoas falharam nos últimos 29 anos, ele encontrou Hiroo nas selvas de Lubang. Suzuki tentou convencer Hiroo a voltar para o Japão com ele e este lhe informou que só se renderia se recebesse ordens de um oficial superior. Por questões legais, também não era fácil assim, simplesmente largar as armas e ir embora. Afinal ele e seus quatro companheiros haviam matado 30 filipinos e ferindo mais de 100 outros, bem como destruído fazendas e outras edificações, tudo isso em tempo de paz.

Hiroo Onoda, soldado japonês que levou a Segunda Guerra Mundial até 1974

Suzuki voltou ao Japão e com ajuda do governo, localizou o ex comandante, Yoshimi Taniguchi, já idoso, trabalhando numa livraria. Em 9 de março de 1974, Yoshimi foi a Lubang e formalmente liberou Hiroo de seus deveres militares. Três dias depois, aos 52 anos, Hiroo saiu da selva com o uniforme completo, que de alguma forma ainda estava impecável, com sua espada, um rifle Arisaka 99 em condições operacionais, com 500 cartuchos de munição e diversas granadas de mão, bem com a adaga que sua mãe havia lhe dado em 1944 para sua proteção. Hiroo entregou sua espada ao presidente filipino Ferdinand Marcos e recebeu o perdão por suas ações nas décadas anteriores.

Em abril de 1975, ele voltou ao Japão e foi saudado com herói. Ele também recebeu seu salário dos últimos trinta anos. A vida era muito diferente no Japão, de como ele se lembrava. Muitas das virtudes tradicionais japonesas que ele acreditava, como o patriotismo eram quase inexistentes. Então, seguindo o exemplo de seu irmão mais velho Tadao, deixou o Japão e veio criar gado no Brasil, tornando-se líder da Colônia Jamic, comunidade agrícola japonesa em Terenos, no Mato Grosso do Sul e casou-se com uma japonesa em 1976.

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Depois de ler sobre um adolescente japonês que havia assassinato seus pais em 1980, ele voltou ao Japão e criou a Fundação Onoda, que ensina jovens estudantes a sobreviver na selva com recursos naturais – e que espantosamente consegue atrair turmas de até oitenta jovens por temporada. Hiroo volta regularmente ao Brasil e parte de suas terras é usada para treinamento da Força Aérea Brasileira. Faleceu de insuficiência cardíaca devido a complicações decorrentes de uma pneumonia em 17 de janeiro de 2014, com 91 anos.

Hiroo já escreveu cinco livros sobre o tema. O primeiro deles: No Surrender: My thirty-year war (no Brasil: Os Trinta Anos de Minha Guerra), que foi traduzido para dezessete países. Revisitou a ilha de Lubang em 1996, doando 10.000 mil dólares para a escola local. Hiroo Onoda recebeu em 6 de Dezembro de 2006, a medalha de mérito Santos-Dumont da Força Aérea Brasileira. Em fevereiro de 2010, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul conferiu-lhe o título de “Cidadão Sul-Matogrossense”.

Hiroo Onoda, soldado japonês que levou a Segunda Guerra Mundial até 1974

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Entregando a espada ao presidente filipino Ferdinand Marcos

Hiroo Onoda, soldado japonês que levou a Segunda Guerra Mundial até 1974

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Fontes: 1 2 3

“Aprenda com o ontem, viva para o hoje, acredite no amanhã. O importante é não parar de questionar!”. – Albert Einstein

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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