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Mão da Glória, a bizarra mão seca de um homem enforcado

Mão da Glória, a bizarra mão seca de um homem enforcado

The Hand of Glory (Mão da Glória) é um mão mumificada exposta no Whitby Museum, no condado de North Yorkshire, na Inglaterra. Tal mão pertenceu a um homem que foi enforcado por um crime desconhecido. A mão foi cortada em seu pulso quando o corpo sem vida ainda estava pendurado. A mão foi então seca e decapada em sal. Tal objeto foi descoberto no início do século 20, escondida na parede de uma casa em Castleton, por um pedreiro e historiador local, Joseph Ford e doado ao museu em 1935.

Mão da Glória, a mão humana seca de um homem enforcado

A “mão da glória” no Museu Whitby | Crédito da foto

Antigas crenças europeias atribuem grandes poderes a uma Mão da Glória combinada com uma vela feita de gordura do cadáver do mesmo malfeitor que morreu na forca. A vela feita, iluminada e colocada (como se estivesse em um castiçal) na Mão da Glória, teria tornado imóvel todas as pessoas a quem foi apresentada. Por esse motivo, a Mão da Glória era muito cobiçada por ladrões e espertalhões na Idade Média. Pessoas ligadas a bruxaria e ocultismo também gostavam desses objetos bizarros e sobrenaturais para praticar magia negra.

O nome “Mão da Glória” provavelmente vem do francês “main de gloire“, que alguns estudiosos sugerem que seja uma corruptela da palavra mandrágora (Mandragora officinarum), uma planta da família das Solanaceae, que continha um alcaloide que induz alucinações, visão turva, tontura, dor de cabeça, vômitos e uma variedade de sintomas quando consumidas. Em quantidades suficientes, pode até mesmo levar uma pessoa à inconsciência. Médicos no passado costumavam usar a planta como anestésico em suas cirurgias.

Mão da Glória, a mão humana seca de um homem enforcado

Mão da Glória feita em mármore | Crédito da foto

Seus frutos amarelos, carnosos, aromáticos e tóxicos eram chamados de “as maçãs do diabo” pelos árabes devido a supostos efeitos afrodisíacos. As várias crendices e lendas ao redor desta planta provavelmente se originaram do fato de ela possuir uma raiz principal bifurcada bastante ramificada, muitas vezes assemelhando-se à forma humana.

As supostas propriedades mágicas da Mão da Glória variam de uma lenda para outra, mas sempre relacionadas em imobilizar as vítimas e assim facilitar a invasão de casas, mansões e castelos aos ladrões. Preparar um objeto grotesco desses era trabalhoso, e de acordo com Sabine Baring-Gould (1873) em sua obra Mitos Curiosos da Idade Média descrevia:

“A Mão da Glória é a mão de um homem que foi enforcado e retirada dele depois de três dias de sua morte, e ela é preparada da seguinte maneira: Enrole a mão em um pedaço de pano, apertando bem, de modo a espremer o pouco de sangue que pode haver; em seguida, coloque-a em um recipiente de barro com salitre, sal e pimenta, que precisa ser escolhida cuidadosamente e macerada até virar pó.

Deixe a mão do morto permanecer quinze dias nessa solução até que ela esteja bem seca, e em seguida, exponha a mão ao sol nos dias de sol mais forte, até que esteja completamente ressecada, ou, se o sol não for poderoso o suficiente, seque-a em um forno aquecido com verbena e samambaia. Em seguida, faça uma vela com a gordura do homem enforcado, cera virgem e gergelim da Lapônia.”

Conforme a lenda, quando essa vela fosse acesa e colocada na Mão da Glória, seria como um castiçal e colocaria para dormir todos os ocupantes da casa, Às vezes, os dedos da mão estavam iluminados. Cada dedo iluminado representava uma pessoa dormindo dentro da casa. Se um dedo se recusasse a acender, era um sinal de que alguém estava acordado, ou que havia menos pessoas na casa do que dedos na mão. Uma vez que os dedos estivessem iluminados, as pessoas que dormiam não conseguiriam acordar, até que a chama da vela fosse apagada. A tradição diz que nem o vento e nem a água pode extinguir o fogo da Mão da Glória, somente quem a acendeu. Outras histórias dizem que ela só pode ser apagada por sangue ou leite desnatado.

Histórias sobre o uso de tais mãos se tornaram comuns em toda a Europa, da Finlândia à Itália e da Irlanda Ocidental à Rússia nos últimos quatrocentos anos. Pelo menos duas desses é relatada em North Yorkshire, um relativo na Spital Inn em Stainmore no ano de 1797 e a outra na Oak Tree Inn, em Leeming, supostamente em 1824. A história a seguir é relatada no site do museu onde a mão esta exposta, como sendo a descrição da utilização da Mão da Glória acontecido em Northumberland:

Numa noite escura, quando já estava tudo fechado, ouviu-se uma batida na porta de uma hospedaria isolada no meio de uma floresta, entre duas vilas. A porta foi aberta e lá estava sem tremor ou agitação, um pobre mendigo com seus farrapos encharcados de chuva e suas mãos brancas de frio. Tremendo de frio, perguntou se havia um lugar para dormir, e alegremente foi concedido a ele; não havia cama sobrando na casa, mas ele poderia se deitar em um tatame em frente a lareira da estalagem.

Então isso foi resolvido, e todos na casa foram para suas camas, exceto a cozinheira, que da cozinha dos fundos podia ver a grande sala através de um painel de vidro. Ela observou o mendigo e o viu, assim que ficou sozinho, se levantando do chão e sentar-se à mesa, tirando uma mão humana murcha do bolso e encostou no candelabro.

Ele então ungiu os dedos, e aplicando um fósforo a eles, e assim começaram a flamejar. Cheia de terror, a cozinheira correu pelas escadas dos fundos e tentou despertar seu mestre e os homens da casa. Mas tudo foi em vão – eles dormiam um sono profundo. Então, desesperada, ela se apressou novamente e se colocou em seu posto de observação.

Ela viu os dedos da mão murcha em chamas, mas o polegar permanecia apagado. O mendigo estava ocupado procurando os objetos de valor ao redor dele que colocava em um grande saco. Assim que acabou na grande sala, foi para outro ambiente. Nisso a mulher correu e, aproveitando a luz, tentou apagar as chamas, soprando-as.

Como não teve sucesso, ela derramou os restos de um jarro de cerveja sobre a bizarra vela, mas que atiçou ainda mais as chamas. Como último recurso, pegou um jarro de leite e jogou o líquido sobre as quatro chamas, e elas se apagaram imediatamente. Pronunciando um grito alto, correu para a porta do ambiente em que o mendigo havia entrado e trancou-o ali. Toda a família acordou e o ladrão foi facilmente preso e posteriormente enforcado.

Mão da Glória, a mão humana seca de um homem enforcado

Estampa de camiseta com a representação da Mão da Glória | Crédito da foto

Mão da Glória, a mão humana seca de um homem enforcado

Cena do filme The Wicker Man de 1973, estrelando Christopher Lee | Crédito da foto

Site oficial do museu: www.whitbymuseum.org.uk

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