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O telescópio Leviatã de Parsonstown

O telescópio Leviatã de Parsonstown

Em 1845, William Parsons, um nobre irlandês e terceiro Conde de Rosse, construiu um grande telescópio astronômico com um enorme refletor de 182 centímetros de largura em sua propriedade em Birr Castle (atualmente Birr, no Condado de Offaly), Parsonstown, na Irlanda. O telescópio chamado Grande Telescópio de Lorde Rosse, era tão grande que os moradores locais começaram a chamá-lo de “Leviatã de Parsonstown” – leviatã é um monstro marinho ou uma baleia no hebraico moderno.

O telescópio de William foi o maior do gênero no mundo na época, um título que orgulhosamente detinha até a construção do telescópio Hooker de 254 centímetros de largura no Mount Wilson Observatory, Califórnia, EUA em 1917.

Réplica do Leviatã de Parsonstown em Birr, na Irlanda | Crédito da foto

William Parsons construiu vários telescópios durante a sua vida, sempre buscando fazer instrumentos com aberturas cada vez maiores, e o Leviatã de Parsonstown foi o ápice de suas conquistas. Quanto maior é a abertura de um telescópio, maior é a sua capacidade de capturar luz.

Telescópios de grande aberturas são mais indicados para observar objetos pouco luminosos, como nebulosas, galáxias ou aglomerados de estrelas. Com seu grande telescópio, William observou objetos que nunca tinham sido observados antes, especialmente nebulosas, e descobriu que esses objetos borrados não são realmente gasosos, mas continham pequenas estrelas, que os telescópios anteriores não conseguiam  identificar claramente.

Com o telescópio, William observou pela primeira vez a estrutura espiral em certas galáxias, numa época em que nem se tinha uma comprovação científica de que o Universo é formado por conjuntos de galáxias. O termo “galáxia” não era utilizado, e galáxias e nebulosas eram todas chamadas de nebulosas. William foi a primeira pessoa a estudar a Messier 51, uma galáxia apelidada mais tarde como a “Galáxia de Redemoinho”, e os desenhos que ele fez das galáxias se assemelham a fotografias modernas.

Para construir o telescópio, que não tinha precedentes, William teve que criar muitas técnicas de construção de telescópios e melhorar as técnicas de fundição, esmerilhamento e polimento de grandes espelhos telescópicos de espéculo, uma liga de cobre e estanho. Enquanto os construtores anteriores de telescópio guardavam seus segredos a sete chaves, William tornou os seus disponível a quem quisesse. Ele publicou detalhes de suas técnicas e as apresentou à Belfast Natural History Society. As imagens que ele obteve usando seu telescópio foram amplamente divulgadas dentro da comunidade britânica.

Crédito da foto

William tentou por cinco vezes, antes de ter sucesso em criar um espelho que pudesse ser usado no telescópio e levou três anos para construí-lo. O espelho tinha cinco polegadas e pesava quase três toneladas. O telescópio foi montado entre duas paredes de pedras, usadas como suporte. Um sistema de correntes, polias e contrapesos mantinham o aparelho em equilíbrio. As paredes de apoio restringiam o ângulo azimutal de telescópio (movimento da esquerda para a direita), mas o telescópio podia apontar em qualquer direção verticalmente para cima ou para baixo.

À medida que a Terra girava, objetos celestes passavam entre os espaço de visualização das paredes, dando ao observador, que estava parado precariamente em uma plataforma de observação no topo do telescópio, não mais que trinta minutos para observar. Como a fotografia astronômico ainda estava engatinhando na época, William fez esboços do que observava no espaço.

Refletor original de 182 centímetros no Museu de Ciências de Londres | Crédito da foto

Após a morte de William Parsons em 1867, seu filho Lawrence, o quarto Conde de Rosse, continuou a operar o telescópio até cerca de 1890, quando ficou em desuso por alguns anos, sendo desmontado em 1914, quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial, e o metal do telescópio foi derretido para contribuir para o esforço de guerra. Dos dois espelhos originais, um foi perdido, enquanto o outro esta guardado no Museu de Ciências de Londres. Atualmente, uma réplica do Leviatã de Parsonstown está no local do telescópio original.

Crédito da foto

Ilustração da construção no telescópio em Birr Castle, pintura feita por Henrietta Crompton em 1845 | Crédito da foto

Ilustração vitoriana do Leviatã de Parsonstown | Crédito da foto

Desenhos originais de galáxias e nebulosas de William Parsons | Crédito da foto

Anotações e desenho da M51, a Galáxia de Redomoinho feito por William Parsons exposto no Museu do Castelo de Birr | Crédito da foto

Esboço feito da Galáxia de Redemoinho em 1845, por William Parsons | Crédito da foto: domínio público

Imagem moderna da Galáxia do Redemoinho

O vídeo abaixo, simula num diorama, os movimentos do telescópio do Leviatã de Parsonstowns

Fontes: 1 2 3

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