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Arboescultura, a arte de moldar a natureza

Arboescultura, a arte de moldar a natureza

Arborescultura é uma técnica muito curiosa e interessante de arte, onde são usadas árvores vivas para se criar esculturas. Vale salientar que esta técnica se mostra ecologicamente correta, uma vez que as árvores utilizadas não serão cortadas e sim transformadas em objetos de arte, decoração e utilitários enquanto vivas. Porém, a natureza pede paciência e a paciência requer tempo, tempo para que as árvores possam crescer e serem moldadas.

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Pontes vivas da Índia

Essa técnica de moldar árvores tem sido praticada há várias centenas de anos como demonstram as pontes vivas construídas das raízes de árvores, na Índia pelo povo Khasi. Na maior parte do mundo, quando é necessária uma ponte a mesma é construída a partir de madeira, aço ou concreto. Mas, em Cherrapunji no nordeste da Índia, os habitantes ainda têm a paciência de seus ancestrais. Eles aprenderam a simplesmente “persuadir” as árvores próximas aos rios e riachos a crescerem em pontes naturais. O processo leva muitos anos, mas o resultado é completamente natural, surpreendentemente forte, e se parece com algo saído de um maravilhoso mundo de fantasia.

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Criação de Axel Erlandson

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Peter Cook em uma de suas criações

A ideia é conseguir formar diferentes formas com os galhos das árvores que estão crescendo. Os artesãos, artistas ou arquitetos da natureza controlam o crescimento da planta para que ela ganhe o formato desejado. Richard Reames é um destes artistas contemporâneos, responsável por este tipo de escultura. Ele sempre viveu no meio de árvores, gazebos, móveis e casas na árvore. Toda essa vivência serviu de inspiração para as arboresculturas que ele produz. Reames popularizou a arboesculturas quando lançou em 1995 o livro intitulado “Como cultivar uma cadeira“.

Peter Cook e Becky Northey, são reconhecidos como os líderes mundiais neste tipo de arte e fundadores da “Pooktre” uma nova maneira de ver as árvores. Juntos, eles têm dominado a arte de moldar árvores com uma profunda compreensão e respeito para com a sabedoria da natureza, se colocando em perfeita harmonia com a mesma. Eles vivem nas montanhas cercadas por milhares de hectares de paisagem selvagem. Ensinam seus filhos sobre o amor e o respeito aos animais que partilham a paisagem e a sua casa, assim como, a se inserirem no fluxo da natureza que os envolve.

Arboescultura, a arte de moldar a natureza

Na década de 1920, um homem na Califórnia chamado Axel Erlandson, filho de imigrantes suecos, começou a experimentar várias técnicas de arboescultura. Ele passou sua juventude numa fazenda, onde conquistou a habilidade de criar projetos complexos de ramos e caules. Em 1947, ele transferiu várias de suas criações adultas para um terreno adquirido na cidade de Scotts Valley, onde mais tarde criou o museu chamado “The Tree Circus”, atraindo visitantes de todo o país. Após a morte de Axel, em 1964, os herdeiros mudaram o nome do Circos das Árvores para “O Mundo Perdido”, incorporando as árvores inusitadas do parque, dinossauros feitos de plástico, mas não surtiu o efeito desejado nos visitantes e meses depois, desfizeram dos dinossauros.

Arboescultura, a arte de moldar a natureza

Axel Erlandson em seu parque The Tree Circus

A universidade de Tel Aviv, em Israel, mais precisamente o Sarah Racine Root Research Laboratory em parceria com a empresa PlantWare, descobriu algumas espécies de plantas que crescem aeroponicamente (ou seja, que crescem no ar, ao invés de na terra ou na água) não ficam tão duras quanto às que crescem nos métodos tradicionais. Isso, claro, facilitou o trabalho para moldar os galhos e os ramos. O objetivo é transformar árvores vivas em um novo material de construção, fazendo contribuições efetivas para o ecossistema.

Sob a orientação dos Professores Yoav Waisel e Amram Eshel, (da Universidade de Tel Aviv) o projeto piloto da “Eco-Arquitetura” teve aceitação imediata nos Estados Unidos e na Austrália, além de claro, em Israel. Os projetos urbanísticos incluem bancos de parques e hospitais, esculturas para parquinhos infantis, postes, luminárias, portões assim como paradas de ônibus que dão sombra pela própria folhagem.

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Richard Reames

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Projetos do Sarah Racine Root Research de Tel Aviv, Israel

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Artigo publicado originalmente em 2 de outubro de 2015

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