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Os dedos perdidos de Galileu

Os dedos perdidos de Galileu

Os restos mortais de Galileu Galilei (1564-1642) estão enterrados numa cripta dentro da famosa Basílica Di Santa Croce, a principal igreja franciscana de Florença, na Itália. O cientista do século 16 compartilha deste espaço com vários outros italianos ilustres, como Michelangelo, Maquiavel, o poeta Foscolo, o filósofo Gentile e o compositor Rossini.

Quando Galileu morreu em 1642 com 77 anos, o Grande Duque de Toscana, Ferdinando II quis enterrá-lo na Basílica Di Santa Croce ao lado dos túmulos de seu pai e de outros antepassados e erguer um mausoléu de mármore em sua honra. Porém o Papa Urbano VIII e seu sobrinho, o Cardeal Francesco Barberini protestaram, alegando que Galileu havia sido declarado pela Igreja Católica um herege, um inimigo da igreja, pela sua declaração, colocando o sol e não a Terra como o centro do Universo, indo contra ao que a igreja pregava. E então, Galileu foi enterrado em uma pequena sala ao lado da capela dos noviços, no final do corredor sul da basílica.

Por quarenta e cinco anos, o caso de Galileu foi esquecido, até que um inglês chamado Isaac Newton publicou um livro revolucionário – “Princípios Matemáticos da Filosofia Natural” – onde ele estabeleceu as bases para a mecânica clássica. A Lei Universal da Gravitação de Newton e as Leis do Movimento provaram que a Terra gira em torno do Sol e não vice-versa, e que Galileu estava certo o tempo todo. Em 1718, às autoridades eclesiásticas voltaram atrás e corrigiram o erro praticado sobre os trabalhos de Galileu e em 1737, seu corpo foi exumado e enterrado com honras no pavilhão central da basílica. Duas décadas atrás, o Papa João Paulo II reabilitou o astrônomo, dizendo que a igreja tinha errado.

Antes do tal enterro de Galileu, alguns de seus mórbidos admiradores e coveiros, querendo guardar lembranças deles, desmembraram o ilustre italiano, e surrupiaram três de seus dedos da mão, um dente e uma vértebra de seu esqueleto. A vértebra foi parar na Universidade de Pádua, onde Galileu ensinou por muitos anos, enquanto o dente e os dedos foram passados de geração em geração em uma mesma família de uma pessoa que estava na hora do enterro e pegou as lembranças do esqueleto, mas no início do século 20 todos os vestígios das relíquias desapareceram.

Mais de um século depois, os dedos e o dente apareceram misteriosamente em um leilão realizado em 2009, juntamente com outras relíquias religiosas. Os objetos estavam sendo vendidos como artefatos não identificados, contidos em uma caixa de madeira do século 17. Alberto Bruschi, um renomado colecionador de arte de Florença acabou comprando a coleção sem saber o que tinha em seu interior.

O colecionador e sua filha se surpreenderam com o conteúdo da caixa: Um busto de madeira de Galileu encabeçava o recipiente em que as relíquias tinham sido mantidos por muito tempo. Lendo relatos documentados pelo livro de Galluzi, eles sabiam que partes do esqueleto haviam sido retirados do cientista, ao ser enterrado pela segunda vez. Testes e estudos confirmaram que havia sido encontrados os restos mortais de Galileu. Documentos históricos detalhados e registros da família também ajudaram os especialistas a identificá-los, de acordo com as autoridades do museu.

Os dedos perdidos de Galileu

Galileu Galilei

Atualmente, os visitantes do Museu Galileo, convenientemente localizado a uma curta distância do túmulo do astrônomo, na Basílica Di Santa Croce podem ver o dedo médio enrugado sendo exibido em um pedestal, dentro de uma redoma que parece um ovo de Páscoa. O museu já possuía os outros dois dedos e o dente e também em sua coleção tem muitos outros objetos que pertenceram ao cientista, como telescópios, termômetros, bússola, globos terrestres e celestiais e muitos deles objetos únicos, criados pelo próprio Galileu, incluindo dois telescópios e uma lente que ele usou para descobrir as luas de Júpiter.

Os dedos perdidos de Galileu

O túmulo de Galileu na Basílica di Santa Croce | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

“Aprenda com o ontem, viva para o hoje, acredite no amanhã. O importante é não parar de questionar!”. – Albert Einstein

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