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Tulous, os castelos chineses

Tulous, os castelos chineses

Entre os séculos 17 e 19, nas áreas montanhosas no sul da China, província de Fujian, o povo hakka entrava em constante conflito por causa de recursos, com seus vizinhos, chamados punti.  Os hakkas começaram a construir estruturas para seu clã que fossem mais defensáveis. Essa construção são chamadas de tulou, fortificações feitas de tijolos, pedras ou barro compactado, podendo ser retangulares ou circulares com quatro ou cinco andares, protegida por espessa parede e com apenas uma entrada muito bem protegida e janelas apenas nos andares mais altos.

Essas construções eram construídas a partir de uma fonte de água e internamente dividida em muitos compartimentos para armazenamento de alimentos, alojamentos, templo e outros, podendo aguentar por meses um ataque inimigo. Muitos também tinham seus próprios sistemas de esgoto. Alguns tulous chegaram a ter em seu interior, habitações com mais de 40.000m², chegando a ter mais de 80 famílias.

As paredes exteriores fortificadas eram construídas com terra batida, misturado com pedra, cascalho, bambu, madeira e outros materiais facilmente disponíveis, para formar paredes de até dois metros de espessura. Galhos, troncos de árvores e bambus eram usados no meio da estrutura da parede para dar resistência a fortificação. A entrada é protegida com portas de madeira de 15 cm de espessura, reforçadas com uma camada externa de chapa de ferro. Nos nível superior destes edifícios, deixavam pequenos buracos para disparos de flechas ou armas de fogo.

Os tulous eram tão sólidos como os castelo medieval da Europa feitos totalmente de pedras e eram resistentes até mesmo contra tiros de canhão. Ainda que ninguém tenha planejado originalmente, os tulous são capazes de resistir a terremotos de grande magnitude, o que explica os seus séculos de longevidade. Em 1934, um grupo de camponeses de Yongding County, se rebelaram contra o governo, ocupando um tulou para resistir ao ataque do exército, que dispararam 19 tiros de canhão na fortificação e que no fim, só conseguiu fazer pequenos estragos na parede exterior e desistiram do ataque.

Muitas vezes, eram habitação para um clã inteiro, e toda a estrutura funcionava como uma pequena aldeia e sendo conhecidas como “pequeno reino” ou “pequena cidade“. Os edifícios eram divididos verticalmente entre as famílias com dois ou três quartos em cada andar, dependendo das necessidades de cada família. Em contraste com a sua simplicidade exterior, o interior do tulou eram construídos com todo o conforto possível e muitas vezes ricamente decorados. São também à prova de vento e extremamente bem ventilados: os tulous são um oásis de frescor nos meses quentes de verão e o isolamento fornecido pelas paredes faz com eles retenham o calor no inverno.

Embora a maioria dos tulous eram construções feitas de barro, a definição “tulou” é um rótulo amplamente descritivo para um tipo de edificação, não indicando o tipo de construção, pois alguns tulous foram feitos de pedras ou de tijolos queimados. Tulous mais recentes, foram construídos de um composto de barro, areia e cal, conhecido como “sanhetu“, invés de apenas barro batido. Devido a sua aparência pouco ortodoxa e estranha, eles eram confundidos com silos de mísseis durante a guerra fria.

Existem mais de 20.000 tulous espalhados na região sudeste montanhosa da província de Fujian. Embora são encontrados em outras partes da China, todos eles são referidos como Fujian Tulou após a UNESCO adotar esse nome para as habitações deste tipo. Um total de 46 locais de Fujian Tulou foram registrados em 2008 pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, como “exemplos excepcionais de uma tradição de construção e função exemplificando um determinado tipo de vida comunitária e organização defensiva em uma relação harmoniosa com o meio ambiente“.

Embora muitos moradores de tulous já tenham se mudado para casas mais modernas ou à procura de trabalho nas grandes cidades ao longo da costa da China, muitas famílias ainda mantém os direitos de propriedade das suas casas antigas. Eles voltam para lá regularmente para reuniões e festividades, o que deve garantir a sobrevivência desta forma arquitetônica incrível durante muitos anos vindouros.

Fonte: 1 2

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Meu nome é Julio Cesar, e sou de Santa Catarina e idealizador do site Magnus Mundi. O site tem como objetivo informar sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos e também histórias, lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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