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As janelas de bruxa de Vermont

As janelas de bruxa de Vermont

Uma singularidade arquitetônica encontrada apenas no estado americano de Vermont é a chamada “janela de bruxa” (também conhecida como janela de caixão ou janelas de Vermont). Geralmente estas janelas são de caixilho duplo, e instalada na parede em ângulos diagonais, de modo que sua borda mais comprida fique paralela com inclinação do telhado. Elas são instaladas nos andares superiores na parede da extremidade da empena da casa e geralmente são encontradas em casas antigas de fazendas.

Segundo os moradores locais, as janelas foram instaladas para evitar que as bruxas voassem para dentro das casas, porque aparentemente, elas não podem voar através de uma janela inclinada. Apesar da lenda local sobre tais janelas, a resposta é sem sentido, uma vez que apenas uma janela é inclinada, enquanto que todas as outras janelas verticais da casa são normais, onde a bruxa pudesse entrar com facilidade. Enfim, não há razão, para que uma bruxa se limitasse a apenas aquela janela em particular.

A verdade sobre essa tradição se perdeu no tempo, mas teorias para ela não falta e há uma mais mórbida, para a janela ser inclinada. Muitas pessoas em seus momentos finais da vida, passam em seus quartos, que geralmente estão no andar de cima de suas casas. Quando elas morrem, torna-se difícil manobrar o caixão do segundo andar para o primeiro andar através dos corredores e escadas estreitas. Eventualmente, alguém construiu “janelas de caixão” para que pudessem deslizar facilmente o caixão para baixo.

No entanto, há falhas nessa teoria: bastaria apenas mover o corpo para baixo e depois disso coloca-lo em um caixão. Além disso, as janelas nem sequer abrem totalmente e não se conseguiria manobrar um caixão adequadamente por ela. Defensores desta teoria, diz que no passado era comum, famílias da região rural, guardarem caixões no sótão, para não serem pegos de surpresa numa eventual morte de algum familiar. Enfim, é estranho pensarmos que na construção da casa, já se deixasse uma janela para uma eventual morte na casa.

A explicação mais plausível para essas janelas incomuns é a frugalidade. Sótãos e quartos do segundo andar, onde as janelas estão instaladas, precisam de luz, mas não há espaço suficiente para caber uma janela na posição vertical na parede entre o teto da ala e a parte principal da casa. Uma alternativa seria fazer janelas de mansarda que projetam do telhado, mas seu custo é maior. Portanto, a solução é girar uma janela vertical para caber dentro da empena. Isto permite uma ventilação decente e é extremamente fácil e barato de construir.

Durante o século 19, o norte de Vermont era muito rural e dominado por pequenas comunidades agrícolas com acesso limitado ou inexistente a materiais de construção. Se você estivesse construindo uma casa nova, iria a uma loja de ferragens e compraria os caixilhos e janelas que estivessem a disposição ou por catálogo. As escolhas na época eram limitadas e o melhor que você poderia esperar era encontrar uma janela vertical menor, com uma largura que permitisse encaixar no espaço reduzido e inclinado, do que tentar construir algo por conta própria.

Os agricultores de Vermont sempre foram reconhecidos no país por seu senso comum e engenhosidade. É provável que eles também reutilizassem janelas que não se encaixavam acima do novo frontão, por isso foram instaladas em diagonal para aproveitar o máximo o espaço disponível na parede.

Quanto a só existir tais janelas em Vermont, também não é coerente. “Não é específico para Vermont“, diz Devin Colman, que trabalha para a Divisão de Preservação Histórica de Vermont. “Eu acho que é mais prevalente, mas se pode encontrar tais janelas em áreas rurais de New Hampshire, Maine e em outras partes da Nova Inglaterra.” Em outros lugares, essas janelas são simplesmente chamadas de janelas tortas ou angulares, mas não são tão comuns. Mesmo dentro de Vermont, as janelas das bruxas são encontradas apenas nas regiões central e norte, e nas fazendas do século 19.

As janelas de bruxa de Vermont

Crédito da foto: Amy Kolb Noyes/VPR

Fontes: 1 2 3

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