Belle, a estátua dedicada aos profissionais do sexo

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Em Oudekerksplein, ou Old Church’s Square (Praça da Igreja Velha), no coração do distrito De Wallen, mais conhecido como o bairro da luz vermelha em Amsterdã, ergue-se uma estátua de bronze de uma mulher em pé, com os seios fartos, posicionada numa porta, sobre um pedestal, como se estivesse aguardando clientes, em frente a Oude Kerk, a igreja mais antiga de Amsterdã. A estátua é chamada Belle, e é o primeiro monumento no mundo dedicado as profissionais do sexo, que é considerada, uma das mais antigas profissões do mundo.

A Holanda é um dos poucos países no mundo onde a prostituição é legal e regulamentada, desde que não seja praticada na rua. As garotas de programas são obrigados a passar por exames periódicos de saúde para poderem trabalhar, sendo esses exames pagos pelo governo e os donos dos bordéis exigem a obtenção de certificados de saúde, tais como o teste SERVSAFE, antes que eles possam empregar alguém ou alugar quartos, sob pena de ter seu estabelecimento fechado. Estimasse que cerca de 90% dos trabalhadores do sexo são do sexo feminino, 5% do sexo masculino e 5% transexuais.

De Wallen é o maior e mais conhecido distrito da luz vermelha de Amsterdã e consiste de uma série de becos, contendo cerca de trezentas cabines que são alugadas pelas prostitutas que oferecem seus serviços sexuais por trás de janelas ou portas de vidro, tipicamente iluminado com luzes vermelhas. Essas cabines são chamadas de “kamers” que literalmente significa “quartos/camas”, e são uma grande atração turística na cidade.

O distrito De Wallen, em conjunto com as áreas de prostituição Singelgebied e Ruysdaelkade, formam a Rosse Buurt (áreas de luzes vermelhas) da cidade. Na área, também podem ser encontrados sex shops, casas de strip-tease, clubes de sexo, teatros e museu do sexo, um museu dedicado a maconha, e vários cafés que vendem a cannabis.

Nem sempre foi assim, na idade média, homens e padres casados eram proibidos de entrar na área De Wallen. Em 1578, a prostituição era proibida e quem era pego praticando sexo era punido severamente. As garotas começaram a trabalhar clandestinamente, mas sem nenhum proteção e então começaram a trabalhar em casas que forneciam alojamento, proteção e alimentação. Isso apesar de ser também ilegal, era tolerado, desde que fosse mantido discretamente e com o tempo, várias dessas casas surgiram.

Em 1911 devido a pressão de movimentos de cristãos ortodoxos-protestantes ricos, foi aprovada uma lei que proibia bordéis e casas de prostituição, mas não impedia das garotas de programa trabalharem livremente e muitas delas acabaram se mudando para o distrito De Pijp. Em 1935, estimasse que havia cerca de 150 casas de prostituição disfarçadas de salão de massagem, pedicure, manicure e tratamento de beleza e em vez das mulheres estarem visível atrás de janelas e vitrines, como hoje em dia, elas ficavam ocultas, atrás de cortinas fechadas, com pequenas aberturas onde os clientes poderiam olhar e negociar.

Em 1811, caiu a proibição e na época os soldados franceses eram os principais clientes em De Wallen. Para proteger as pessoas, exames obrigatórios foram implantados. As mulheres ganhavam um cartão vermelho que era a autorização para trabalharem e se fosse encontrado alguém doente, o cartão era tomado até que pudesse provar que estava livre da doença. Tudo isso, porque determinadas doenças sexuais como a sífilis não tinha tratamento até o início do século 20.

Na época, a doença era tratada com banhos de mercúrio para aliviar os sintomas, tratamento esse considerado altamente perigoso. A partir de 2000, o governo holandês anunciou planos para fechar muitas das cabines de prostituição por causa da suspeita de atividades de grupos criminosos, principalmente por causa do tráfico de seres humanos, inclusive envolvendo brasileiras. No início de 2009, metade das 400 janelas de prostituição foram fechadas, bem como muitos cafés que vendiam maconha e clubes de sexo.

A criação da estátua foi do artista Els Rijerse, concebida por iniciativa de Mariska Majoor, fundadora do Prostitution Information Center, um centro de informação sobre as prostitutas e ex-garota de programa, bem como, assuntos relacionados ao trabalho sexual. Mariska tinha 16 anos de idade quando foi atraída para o mundo da prostituição. Nessa idade, ela não pensava em trabalho sexual como algo degradante. Ela via como um trabalho normal e estava feliz com os altos rendimentos, e só percebeu muito mais tarde que o resto do mundo não via a prostituição daquela forma.

Em 1994, Mariska parou de trabalhar como prostituta e abriu o centro para educar o público sobre o trabalho sexual e reduzir o estigma enfrentado por trabalhadores do sexo. O centro organiza passeios para turistas e estudantes, e realiza palestras e apresentações de slides sobre a prostituição e outras questões relacionadas com o sexo.

Em 2007, ela encomendou a estátua para mostrar respeito aos milhões de mulheres em todo o mundo que ganham a vida através da prostituição. A estátua foi inaugurada ao público durante o Red Light District’s 2nd Annual Open Day – que é um evento tradicional do local. A placa na base da estátua diz: “Respeite as prostitutas ao redor do mundo”. Horas antes da inauguração da estátua, a patrocinadora da estátua, Mariska Majoor foi agredida por uma senhora que não gostou da estátua perto de sua casa, o caso foi parar na delegacia local. Na mesma área, rodeada por bares, cafés e bordéis, existe também uma escultura de uma mão acariciando um seio, criado e instalado pelo artista Rob Hodgson, junto aos paralelepípedos da praça.

Belle, a estátua dedicada as profissionais do sexo

Na área onde está a estátua Belle também tem um relevo de bronze de uma mão acariciando um peito feminino. A escultura instalada na calçada em Fevereiro de 1993 pelo artista Rob Hodgson | Crédito da foto

Belle, a estátua dedicada as profissionais do sexo

De Wallen distrito da luz vermelha de Amsterdã | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3 4

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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