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Checkpoint Charlie, o temido ponto de controle de Berlim

Checkpoint Charlie, o temido ponto de controle de Berlim

Por quase trinta anos, Berlim na Alemanha ficou dividida tanto física quando ideologicamente pelo infame Muro de Berlim, que serpenteava pela capital alemã, durante a Guerra Fria. O muro foi erguido em 1961, principalmente para evitar que os alemães do lado leste fugissem para o oeste. Os cidadãos da Alemanha Oriental eram estritamente proibidos de viajarem para o outro lado ou mesmo saírem do país. Os alemães ocidentais e de outros países, no entanto, podiam visitar o lado comunista, após solicitar um visto.

Checkpoint Charlie, o temido ponto de controle de Berlim

Dois manequins vestidos com roupas militares da época da Guerra Fria no ponto exato onde fica o Checkpoint Charlie | Crédito da foto

O muro de 155 quilômetros de comprimento tinha nove cruzamentos fronteiriços que permitiam que os visitantes do oeste, aliados, estrangeiros, etc… pudessem ir para Berlim Oriental, controlado pelos soviéticos. O mais famoso desses cruzamentos foi o ponto de controle na junção das ruas Friedrichstraße com Zimmerstraße e Mauerstraße, chamado Checkpoint Charlie.

Os Soviéticos simplesmente o chamavam de Posto de Passagem de Friedrichstraße. Os alemães orientais referiam ao Checkpoint Charlie oficialmente como Grenzübergangsstelle (“Posto de Passagem da Fronteira”) Friedrich-/Zimmerstraße. O nome Charlie faz referência à letra “C” no alfabeto fonético da OTAN – Alpha, Bravo, Charlie e assim por diante. Da mesma forma, o cruzamento de fronteira em Helmstedt-Marienborn foi apelidado de Checkpoint Alpha, e o de Dreilinden-Drewitz foi chamado Checkpoint Bravo. Checkpoint Charlie foi o terceiro posto militar de fronteira aberto pelos aliados em Berlim.

Checkpoint Charlie, o temido ponto de controle de Berlim

Mapa do Muro de Berlim, mostrando os pontos de verificação

O posto de controle Charlie tornou-se o ponto de cruzamento mais famoso entre o leste e o oeste da Alemanha, e foi o único portal do qual diplomatas, aliados, militares e turistas estrangeiros poderiam passar para o setor soviético em Berlim. Apesar da sua importância, os aliados não ergueram quaisquer edifícios permanentes por ali.

Um pequeno abrigo de madeira com alguns sacos de areia servindo de proteção era tudo o que tinha. Embora isso tenha sido substituído por um edifício de metal maior na década de 1980, mas os aliados mantiveram as operações deliberadamente simples, como forma de simbolizar sua visão de que o Muro de Berlim não era uma fronteira legítima. As coisas eram bem diferentes no lado leste, com torres de guarda, barreiras de cimento e um galpão onde os veículos poderiam arrancar com pressa, caso seja necessário ir atrás de algum fugitivo.

Checkpoint Charlie, o temido ponto de controle de Berlim

Os tanques do exército dos EUA enfrentam os tanques soviéticos no Checkpoint Charlie, Berlim, outubro de 1961. | Crédito da foto

Checkpoint Charlie era o ponto de verificação mais visível no muro de Berlim. Um pequeno café chamado Cafe Adler (Café Águia), estava situação exatamente em frente ao posto de controle e tornou-se muito popular entre os oficiais aliados, forças armadas e estrangeiros, porque fornecia um excelente ponto de observação da Berlim Oriental, enquanto se degustava algo para beber ou comer.

O Checkpoint Charlie era uma das poucas lacunas no labirinto de barreiras, arame farpado e torres de guarda que compunham o Muro de Berlim, o que claramente atraiu muitos alemães orientais desesperados que procuravam fugir para o Ocidente. Em abril de 1962, um austríaco chamado Heinz Meixner ajudou sua amiga do leste de Berlim, junto com sua mãe, as escondendo abaixadas sob o para-brisa de um conversível Austin-Healey alugado e acelerando em direção ao lado ocidental. Outro homem mais tarde repetiu a situação antes que os alemães orientais adicionassem barras de aço ao cruzamento.

Checkpoint Charlie, o temido ponto de controle de Berlim

Uma visão de Checkpoint Charlie em 1963, do lado alemão ocidental. | Crédito da foto

Em outra tentativa famosa, mas mal sucedida, um adolescente chamado Peter Fechter foi morto a tiros por guardas soviéticos quando tentou escapar pro outro lado. Ele sangrou até a morte, com seu corpo ficou enroscado no arame farpados, e os soldados americanos só podiam assistir, sem ajudar. Já o fotógrafo Horst Beyer montou uma sessão de fotos no Checkpoint Charlie e depois pulou através da fronteira enquanto fingia tirar fotos.

Os soldados americanos forma oficialmente proibidos de prestar auxílio aos fugitivos, mas pouco antes do Muro de Berlim cair em 1989, um soldado americano chamado Eric Yaw conseguiu contrabandear um pai e uma filha alemães no porta-malas de seu carro. Checkpoint Charlie também foi o local do famoso confronto de tanque em outubro de 1961, quando os tanques americanos e soviéticos assumiram a posição de cada lado do portão.

Durante os fervorosos acontecimentos de 9 de novembro de 1989 que assinalaram o fim de uma Berlim dividida, o Checkpoint Charlie permaneceu em operação até sete meses depois, quando sua famosa casa de guarda bege foi removida durante uma cerimônia assistida por dignitários franceses, britânicos, americanos e soviéticos, e foi instalada ao ar livre no Museu Aliado em Berlim-Zehlendorf.

Uma versão da réplica da guarda, com manequins vestidos com uniformes militares e posando como guardas aliados foi instalada mais tarde em Friedrichstraße, onde o ponto de verificação original se encontrava. Hoje, é uma das principais atrações turísticas de Berlim. Existem muitas críticas sobre este lugar, que afirmam que foi transformado em um circo para turistas desinformados. Soldados simpáticos com roupas do exército americano e russo posam para as fotos com sorrisos que definitivamente não representam a realidade daquele período.

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Lado ocidental do Checkpoint Charlie em 1986 | Crédito da foto

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Fontes: 1 2 3

“É o medo do desconhecido que impele todo mundo para os sonhos, para as ilusões, para as guerras, para a paz, para o amor, para o ódio. Tudo isto é ilusão. É isto o desconhecido. Aceite o desconhecido e será uma viagem tranquila”. – John Lennon

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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