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Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

“Maior e melhor” tem sido a força motriz do progresso através dos tempos. No caso das armas, isto significa um maior poder de fogo e um maior alcance. Quanto maior o projétil e quanto mais longe puder ser lançado, maiores os danos para o inimigo. Assim nasceu a maior arma que o mundo já viu, Dora, o super-canhão de 800 mm. O nome Dora é uma homenagem de Erich Müller, engenheiro responsável pelo projeto, a sua esposa.

Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

Em 1937, o Alto Comando Alemão (OKW, Oberkommando Der Wehrmacht ), liderado por Adolf Hitler incumbiu a metalúrgica Krupp AG de Essen, na Alemanha do design e produção da maior arma já construída, capaz de penetrar um metro de aço, sete metro de concreto armado reforçado e 30 metros de terra compacta, a uma distância de 45 quilômetros, o que o colocaria fora do alcance inimigo. O movimento sobre trilhos seria essencial e o Schwerer Gustav, como inicialmente foi chamado o canhão, em honra do seu criador Gustav Krupp von Bohlen und Halbach, diretor da empresa entre 1909 e 1944, deveria ser móvel o suficiente para ser transportado.

Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

O segredo que envolvia a nova arma era tal que os aliados nunca souberam pormenores sobre ela. Na verdade, o segundo nome pelo qual ficou conhecido, Dora, surgiu através do nome de código dado à sua criação, Implement D (Instrumento D),  dado pela guarnição responsável pela arma, da mesma forma que guarnições dos morteiros “Karl-Mörser“, de 600 mm, os apelidaram de “Adão e Eva”, “Pai e Filho”, “Thor e Odin”. Mas a produção do super canhão mostrou-se difícil, quer pelas dimensões do mesmo, quer pela falta de exemplos nos quais basear o trabalho, uma vez que a indústria de armamento estava parada desde o fim da Primeira Grande Guerra.

Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

Um projetil de Dora no Museu Ordnace do Exército dos Estados Unidos | Crédito da foto

As dificuldades arrastaram-se e o conhecimento extensivo de metalurgia, explosivos e balística, resultante da química aplicada, física e matemática, necessários à criação da arma e dos projéteis, tomou três longos anos de trabalho. Quando se iniciou a Segunda Guerra a arma não estava pronta, o que somente aconteceu no final de 1940. Foi testado no início do ano seguinte no Campo de Provas de Rügenwalde, na presença de Hitler e do seu Ministro de Armamento, Albert Speer, com enorme êxito.

Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

O canhão ferroviário pesava 1.350 toneladas, medindo 47,3 metros de comprimento, 7,1 metros de largura e 11,6 metros de altura. Este colosso, com um cano de 32,48 metros, podia arremessar dois tipos de projétil: uma granada de alto explosivo de 4,8 toneladas que viajava a 820m/s e com um alcance de 48 quilômetros e uma granada anti concreto de 7 toneladas que podia atingir um alvo a 38 quilômetros de distância em menos de um minuto. A estrutura era elevada e posicionada no local de disparo através de um comboio especial constituído por 28 vagões que se estendia por 1,6 quilômetros e era movido por duas locomotivas a diesel e a montagem exigia em torno de 250 homens e demorava no mínimo três dias.

Apesar do seu funcionamento essencialmente elétrico e hidráulico, dentre toda a operação da arma, à criação de trilhos para a mover e sustentar, passando pela equipe de cientistas e engenheiros da Krupp para avaliar cada disparo, até à sua proteção, era necessária uma equipe de 2.500 a 4.000 homens, muitos deles “voluntários” da região em que se encontravam.

Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

Por algum tempo pareceu que nenhum uso seria dado a esta obra-prima da engenharia alemã, mas o início da guerra contra a União Soviética apresentou novas oportunidades adequadas às capacidades do Schwerer Gustav. Foi então usado, pela primeira e única vez, em junho de 1942 contra a cidade de Sebastopol, localizada na atual Ucrânia, durante a Operação Barbarossa. Num total de 48 projéteis lançados, um a cada 30-45 minutos, destruiu por completo o mais forte complexo fortificado do mundo, com um total de 30.000 toneladas de munições.

Dora: O super canhão da Segunda Guerra Mundial

O super canhão sendo carregado

Após esta batalha, o canhão começou a dar sinais de desgaste, especialmente no cano, e foi retirado para reparações. A partir daqui há uma série de histórias e de mitos acerca desta arma. Algumas fontes referem que o Schwerer Gustav foi destruído pelos alemães para evitar a sua captura e que os seus projetos se perderam. Também consta que, pouco tempo depois, um segundo modelo foi construído e, este sim, recebeu o nome de Dora. Teria sido este exemplar que foi descoberto pelos Aliados após o término da guerra.

No entanto, as referências mais fidedignas dão como certo que houve apenas uma única arma da qual estava prevista a construção de três exemplares. A polêmica e o segredo que envolveu o projeto fez com que fosse chamado Schwerer Gustav e Dora em ocasiões diferentes, embora se tratasse do único e mesmo canhão. Somente na década de 1950 foi revelada a sua história, a história da maior arma já construída, ainda que não a de maior calibre.

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Adolf Hitler (segundo da direita) e Albert Speer (à direita) inspecionam o canhão Dora de 800 mm no ano de 1943

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A ferrovia era feita circular, para movimentar o canhão em todas as direções se necessário

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Diorama de como seria o super canhão Dora

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Um soldado dos EUA medindo o cano do que restou da arma Dora depois que foi explodido pelos alemães.

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Soldados aliados posam em frente a um projétil capturado

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O super canhão Dora sendo carregado para disparar. Demorava 20 a 45 minutos para recarregar a arma e prepará-la para disparar.

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Texto publicado inicialmente em 10 de julho de 2015

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