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Ponte De Le Tette, a Ponte dos Seios de Veneza

Ponte De Le Tette, a Ponte dos Seios de Veneza

Ponte De Le Tette é uma pequena ponte sobre o rio Di San Canciano, na paróquia de San Cassiano, Veneza, Itália, no coração do antigo distrito da luz vermelha, conhecido com Castelletto. Apelidada de Ponte dos Peitos ou Ponte dos Seios em homenagem as prostitutas, que eram encorajadas a ficarem sobre a ponte ou em janelas próximas e mostrarem os seios para atrair os homens e inibir a homossexualidade.

O Conselho de Veneza, conhecido como La Sereníssima restringiu a prostituição em Veneza à área de Ca ‘Rampane di Rialto por decreto oficial em 1412. As prostitutas foram severamente restringidas em seus movimentos e comportamentos. Os edifícios da área haviam se tornado propriedade do governo quando o último membro da rica família Rampani morreu sem um herdeiro, em 1319.

Entre os séculos 15 e 16, as influências da sodomia decorrentes da chegada cada vez maior de comerciantes do Oriente Médio, à animada mistura de povos e, com eles, de seus respectivos hábitos culturais, provocaram um espécie de campanha da República visando preservar os costumes e tradições de uma cultura heterossexual. A profissão mais antiga do mundo era, portanto, não apenas tolerada, mas quase, até mesmo favorecida.

Além disso, o conselho não deixava de regular o comportamento cotidiano das prostitutas com leis rígidas: podiam sair de casa, mas não sair dos limites do distrito e, ao terceiro sino da noite, eram obrigadas a voltar aos seus alojamentos, sob pena de dez chicotadas. Elas também foram proibidas de procurar clientes durante os períodos sagrados do Natal, Quaresma e Páscoa (sob pena de quinze chicotadas).

Elas só poderiam sair do distrito aos sábados e deveriam usar um vistoso lenço amarelo no pescoço, como sinal de reconhecimento. As mulheres solteiras da sociedade veneziana usavam um lenço similar, porém branco, em sinal que estavam disponíveis para casamentos.

As prostitutas enfrentavam forte concorrência dos homossexuais e formalmente pediram ao Doge (duque) para ajudá-las. As autoridades, interessadas em suprimir a homossexualidade, que já era considerado um problema social, permitiram que as prostitutas mostrassem seus seios nas varandas e janelas próximas à ponte para atrair os homens interessados em sexo.

À noite, elas também foram autorizadas em usar lanternas para iluminar seus seios. A ideia de tais incentivos, era desviar ‘os homens do pecado contra a natureza‘. O conselho também chegou a pagar para que as prostitutas ficassem sobre a ponte com os seios expostos. Isso inibia os travestis, que naquela época não tinham seios.

Um importante escritor estimou que havia 11.654 prostitutas trabalhando em Veneza naquela época. O imposto sobre a prostituição em 1514 ajudou na construção do Arsenale, um complexo de estaleiros e arsenais na cidade de Veneza, e que foi responsável pela maior parte do poder naval da república veneziana.

Perto da ponte, também se encontrava o Traghetto Del Buso (Cruzamento do Buraco), onde os clientes das prostitutas atravessavam o Grande Canal para entrar no distrito da luz vermelha. Casanova era um usuário muito frequente do distrito. A situação do distrito da luz vermelha continuou até o século 18, quando para incentivar o turismo, as prostitutas mais jovens puderam trabalhar por toda a cidade, e as mais velhas e menos atraentes ficaram restritas ao Rio Delle Carampane.

Fontes: 1 2 3

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