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A farsa das Aldeias de Potemkin

A farsa das Aldeias de Potemkin

Tsarina Catarina da Rússia, conhecida como Catarina, a Grande ou Catarina II, foi imperatriz da Rússia de 1762 a 1796. Catarina teve mais de trinta amantes e o mais duradouro foi o marechal de campo e primeiro ministro Grigori Alexandrovich Potemkin que ajudou a governar a Rússia por 17 anos. Em 1787, Potemkin programou para a imperatriz fazer uma grande visita às recém terras adquiridas da Criméia e territórios ao norte de Tauris, sob o título Nova Rússia – agora parte da Ucrânia – que a Rússia ganhou ao derrotar o Império Otomano e depois de assinar tratados de paz com a Ucrânia Cossack Hetmanate.

A farsa das Aldeias de Potemkin

Fogos de artifício em homenagem a Catarina, a Grande no rio Dnieper

A região havia sido devastada pela guerra, e uma das principais tarefas de Potemkin que na época era governador da região foi reconstruí-la e trazer colonos russos. Naquele ano, quando uma nova guerra estava prestes a eclodir novamente entre a Rússia e o Império Otomano, a corte de São Petersburgo decidiu convidar dignatários estrangeiros e embaixadores a viajarem as terras conquistadas e a maior parte da viagem, a descerem o rio Dnieper para verem com os seus próprios olhos, as prósperas aldeias ao longo da margem e os camponeses agradecidos aos seus novos e bondosos senhores russos, com o objetivo de impressionar os aliados da Rússia antes da guerra.

A farsa das Aldeias de Potemkin

Catarina II, a Grande

Para impressionar sua amada e seus convidados, Potemkin armou um espetáculo sem precedentes, e por todo o caminho da comitiva real de Kiev a Sevstopol foram alinhados uma variedade de casas, lojas, igrejas, entre outras, tudo feito apenas da fachada pintada em madeira e papelão, bem como, de crianças brincando pelas ruas, gado pastando nos campos e homens de Potemkin vestidos de camponeses felizes e agradecidos, que aclamavam as barcaças reais russas e saudavam Catarina, a Grande.

Tudo feito para dar um ar de prosperidade ao lugar e assim que a comitiva passasse, tudo era desmontado e levado para outro lugar a fim de preparar para a passagem seguinte de Catarina. Tudo isso na calada da noite, enquanto a comitiva descansava na estalagem. Toda essa falcatrua pago com dinheiro público e o mais pressionando foi uma noite de fogos de artifícios reproduzindo o ataque na baía de Sevastopol, onde Catarina II e convidados  viu a Frota do Mar Negro em toda a sua beleza, mas também a maioria dos navios feitos em madeira e pintura falsa.

Os historiadores modernos concordam que a maioria dessas lendas são exageradas ou que nunca ocorreram de verdade. Porém a lenda permaneceu e hoje em dia o termo “Aldeias de Potemkin” passou a significar qualquer construção enganosa ou falsa destinada a enganar as pessoas, para que pensem que uma situação é muito melhor do que é na realidade. Potemkin morreu em 1791 e alguns anos depois em 1812, a França invadiu a Rússia pensando quão fácil seria a vitória, talvez baseado que tudo era de mentirinha. Napoleão chegou até Moscou e depois foi derrotado pelo inverno russo e pela força militar.

A farsa das Aldeias de Potemkin

No filme A Entrevista (The Interview), Lojas de mentirinha foram montadas para impressionar dois americanos que foram a Coreia do Norte entrevistar seu líder | Crédito da foto

No decorrer da história vários países usaram tais situações enganosas para ludibriar seus inimigos ou mesmo aliados para obter vantagens. Em 1944, na Segunda Guerra Mundial, quando os delegados da Cruz Vermelha vieram inspecionar os campos de concentração de Theresienstadt, na atual República Tcheca, também chamado de “Gueto do Paraíso“, os nazistas apresentaram o campo de concentração como um assentamento modelo para judeus.

Antes da visita, os alemães deportaram muitos judeus para Auschwitz para minimizar a superlotação. Eles construíram falsas lojas e cafés para demonstrar falsamente que os judeus viviam num conforto relativo. Na realidade, mais de 33 mil presos morreram no campo de concentração, como resultado da desnutrição, doença contagiosas ou serviram de cobaias em experimentos científicos. Em última análise, Theresienstadt serviu como uma estação a caminho para Auschwitz-Birkenau.

A farsa das Aldeias de Potemkin

Em 2010, em Cleveland, EUA, as falsas portas e as janelas pintadas em painéis eram usadas para disfarçar casas vazias em uma parte da cidade. Flores foram pintadas nos painéis para enganar os transeuntes a acreditar que a casa estava ocupada. Crédito da foto: Chuck Crow

A farsa das Aldeias de Potemkin

Crédito da foto: Chuck Crow

A farsa das Aldeias de Potemkin

Crédito da foto: Bryan O’Brien / The Irish Times

Em Enniskillen, Irlanda do Norte, durante a cúpula do G8 de 2013, grandes fotografias foram colocadas nas janelas de lojas fechadas na cidade, de modo a dar a aparência de negócios prósperos para os visitantes que passavam por eles. Na imagem acima, podes se ver um açougue “fingido” na aldeia de Belcoo, no condado de Fermanagh, na Irlanda do Norte, perto de Enniskillen. Algumas lojas e lojas vagas na aldeia têm grandes adesivos envolventes nas janelas para fazê-los parecer ocupados.

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Uma loja de suprimentos de escritório “fingida” na vila de Belcoo, no condado Fermanagh, na Irlanda do Norte, perto do local da cúpula do G8. Crédito da foto: Bryan O’Brien / The Irish Times

Recentemente, em um novo livro, o fotógrafo Gregor Sailer documenta o fenômeno das Aldeias de Potemkin em todo o mundo. Gregor fotografou réplicas fiel das cidades europeias na China para simular cidades construídas para testes de veículos ou treinamento de combate. As imagens seguintes são do seu livro.

A farsa das Aldeias de Potemkin

Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

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Crédito da foto: Gregor Sailer

Fontes: 1 2 3

“Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser”. – Cecília Meirelles

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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