Histórias

A doce vingança do marajá Jai Singh

A doce vingança do marajá Jai Singh

A maioria de nós já se deparou com um vendedor esnobe em alguma loja de artigo de luxo, desses que julga as pessoas pelas roupas que elas estão usando. Um marajá da Índia foi uma delas, mas que se vingou a altura por ter sido humilhado. Essa história é tão extraordinária que parece ter sido extraída de um livro do tipo “Mil e uma noites”. Mas não é ficção, e aconteceu realmente lá pelos anos de 1920. Quem conta essa história é o escritor automobilístico Murad Ali Baig, em seu livro sobre a marca de automóveis Rolls-Royce e príncipes indianos, publicado pela Roli Books, em Nova Delhi.

A doce vingança do marajá Jai Singh

Marajá Jai Singh Prabhakar

Mais de 20.000 automóveis da marca inglesa Rolls-Royce foram construídos antes da Primeira Guerra Mundial, e cerca de vinte por cento deles foram vendidos para a Índia, na época colônia da Inglaterra. Desde aquela época a marca é sinônimo de qualidade e alto padrão de conforto, tornou-se também famosa pela fabricação de automóveis de custo elevado e geralmente destinados a membros da realeza e chefes de Estado em todo o mundo. Estima-se que em média, cada marajá indiano tinha quatro Rolls-Royce e cerca de 230 marajás governavam a Índia, isso significa que existia aproximadamente 900 automóveis da marca circulando no país entre 1908 a 1939.

Um dia em 1920, durante visita a Londres, o marajá Jai Singh Prabhakar (1882-1937), de Alwar, em Rajastan, Índia andava vestido como um cidadão indiano comum e anônimo na famosa rua Bond Street, na capital inglesa. O marajá tinha por costume sempre comprar, ao menos,  três carros de cada vez e se interessou por um novo modelo da marca, o Rolls-Royce Phantom II Tourer.

Na ocasião, ele se deteve em um showroom da empresa e entrou para perguntar sobre o preço e as características do novo modelo. Os vendedores ingleses o tomaram por um indiano pobre e miserável. Então o ofenderam e o expulsaram da loja. Após este incidente, o marajá, sem se abalar, voltou para o quarto de hotel e pediu aos seus servos para comunicar a gerência da tal loja que o marajá de Alwar estava interessado em comprar alguns carros e compareceria pessoalmente ao local.

Depois de algumas horas, o marajá voltou ao showroom da Rolls-Royce, desta vez magnificamente trajado como uma realeza indiana. A loja tinha providenciado um tapete vermelho no chão para acolher o Marajá e todos os vendedores se curvaram respeitosamente diante dele. O Marajá comprou simplesmente todos os seis carros que estavam expostos naquele momento e pagou o valor total com os custos de entrega, à vista.

De volta à Índia, o marajá, quando recebeu os carros ordenou ao departamento municipal que usasse todos os veículos Rolls-Royce adquiridos para a limpeza e transporte de lixo da cidade. Isso mesmo: transporte de lixo. Número um dos carros de luxo no mundo, os Rolls-Royce estavam sendo usados para o transporte de resíduos e limpeza de uma paupérrima cidade do terceiro mundo. A notícia se espalhou por todo o planeta e a reputação da Rolls-Royce tornou-se motivo de chacota.

A doce vingança do marajá Jai Singh

Muitas vezes os automóveis chegavam a Índia e eram adornados com diamantes e rubis e muitos outros acessórios

Sempre que alguém começava a se gabar na Europa ou nos EUA de que possuía um caríssimo e exclusivo Rolls-Royce, as pessoas costumavam rir dizendo: “Qual? O mesmo que é usado na Índia para transportar o lixo da cidade? ” Após este grave dano à reputação da marca, as vendas de carros Rolls-Royce caíram rapidamente e as receitas da empresa mostraram um declínio assustador.

Os proprietários da empresa Rolls-Royce, desesperados,  enviaram um telegrama para o marajá na Índia, quando descobriram o real motivo que havia provocado a atitude do milionário indiano. Pediram sinceras desculpas e rogaram para que parasse de usar os carros da marca inglesa como veículos de transporte de lixo. Não só isso, eles também ofereceram mais seis carros novos para o marajá, livres de qualquer custo. Quando o marajá Jai Singh decidiu que a empresa Rolls Royce havia aprendido a lição, pagando inclusive um alto preço por isso, ele enfim decidiu encerrar a sua doce vingança contra a empresa britânica.

A doce vingança do marajá Jai Singh

Modelo Rolls-Royce Phantom II

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“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”. – Fernando Birri

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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