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Castelo Itter, lugar onde americanos e alemães lutaram como aliados

Castelo Itter, lugar onde americanos e alemães lutaram como aliados

O Castelo Itter foi construído sobre uma colina em Brixental, perto da vila de Itter, nos Alpes austríacos, como um castelo de fronteira contra o bispado de Salzburg no século 16 e foi destruído por agricultores revoltados e reconstruído anos mais tarde. Como muitos outros castelos que caíram em desuso, o castelo Itter teve o mesmo destino até ser usado novamente de 1806 em diante. Em 1878, recebeu o nome de Schloss Itter e foi usado como hotel, porém sem muito sucesso, e em 1900 passou por uma nova remodelação, em estilo neogótico.

O castelo foi o palco de uma das mais improváveis batalhas da Segunda Guerra Mundial, quando no início de maio de 1945, soldados americanos e alemães lutaram juntos contra a SS nazistas para libertar prisioneiros de guerra franceses. Acredita-se ser a única batalha na guerra em que os americanos e os alemães lutaram como aliados.

Castelo Itter, lugar onde americanos e alemães lutaram como aliados

Anteriormente o castelo era usado pela Associação Alemã de Combate aos Perigos do Tabaco e em 1943, o castelo foi convertido em prisão pelos nazistas, como uma subunidade do campo de concentração de Dachau, sob ordens de Heinrich Himmler. Foi usado para abrigar prisioneiros que eram considerados úteis pelos nazistas e que poderiam ser usados como moeda de troca. Cerca de vinte quartos foram convertidos em celas para políticos franceses e pessoas proeminentes, como o ex-presidente francês Albert Lebrun, os ex-primeiros ministros Édouard Daladier e Paul Reynaud, bem como o ex-comandante militar Maxime Weygand e Maurice Gamelin. A irmã mais velha do general francês Charles de Gaulle, Marie-Agnes Cailliau e o renomado tenista Jean Borotra, também eram detentos neste castelo.

Castelo Itter, lugar onde americanos e alemães lutaram como aliados

Nos últimos dias da guerra na Europa, os guardas alemães do castelo fugiram, mas os detentos continuavam presos na fortaleza, com o bosque ao redor cheios de soldados da Waffen SS e da polícia secreta da Gestapo. Os franceses mandaram dois companheiros em bicicletas procurarem ajuda e um deles conseguiu entrar em contato com o major alemão Josef (Sepp) Gangl. Gangl era um oficial da Wehrmacht que estava colaborando com a resistência austríaca e se opondo aos seus compatriotas nazistas. Ele porém percebeu que não poderia ajudar os franceses sozinho, pois só tinha cerca de vinte soldados alemães leais a ele. Portando uma grande bandeira branca, Gangl se encontrou com a unidade americana mais próxima, a 23º Batalha de Tanques da 12ª Divisão de Blindados dos Estados Unidos, liderada pelo Capitão Jack Lee, que se prontificou em ajudar os franceses.

Castelo Itter, lugar onde americanos e alemães lutaram como aliados

Um pequeno grupo de americanos, acompanhados por Gangl e seus homens, seguiram até Itter, onde os americanos estacionaram seus tanques Sherman perto da entrada do castelo. Na madrugada de 5 de maio, eles foram atacados pelas Waffen SS, que destruíram os tanques dos EUA, mas não conseguiram atacar o castelo, sendo defendido por alemães, americanos e franceses. Neste combate, o oficial alemão Josef Gangl foi morto.  No dia seguinte ao intenso combate, cerca de 100 homens da SS foram presos e os franceses finalmente puderam sair do castelo. Josef Gangl foi enterrado em Woergl, uma cidade próxima como herói de guerra, com direito a uma rua com seu nome.

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Major Sepp Gangl da Wehrmacht mudou de lado para ajudar as forças dos EUA, lideradas pelo Capitão Jack Lee. Imagem de como ficou o castelo após os combates de maio de 1945

Castelo Itter, lugar onde americanos e alemães lutaram como aliados

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O general francês Maxime Weygand (à direita) e sua esposa deixando o castelo, foto de maio de 1945

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Soldados alemães confraternizando com soldados americanos após a libertação do castelo

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Algumas das pessoas proeminentes francesas detidas no Castelo Itter, ao lado do Gen. MacAuliffe do Exército dos EUA

Fontes: 1 2 3 4

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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