A era esquecida das torres de luar

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No início do século 19, a invenção do dínamo trouxe promessas de um mundo novo e revolucionário pela frente, mas a necessidade mais urgente na época, era a iluminação. As lâmpadas incandescentes de Thomas Edison ainda não tinham sido inventadas, mas em 1809, Sir Humphry Davy, no Royal Institution em Londres, já demonstrava um método para produzir luz, que ele batizou de “lâmpada arqueada”, e mais tarde conhecidas como lâmpadas de arco voltaico ou de carbono, e portanto, ele pode ser considerado o verdadeiro inventor da iluminação elétrica.

Davy usou dois bastões de carbono na forma de carvão vegetal e os ligou, com um fio, às extremidades opostas de uma bateria. Quando separou os dois eletrodos de carbono, surgiu um arco elétrico entre eles. As extremidades dos eletrodos se aqueceram e se iluminaram produzindo uma luz, porém o arco de luz não durava por muito tempo. As descobertas de Davy foram prematuras, por exemplo, para criar sua lâmpada ele usou duas mil baterias e por conta da indisponibilidade de eletricidade a lâmpada de arco voltaico foi utilizada somente na década de 1870.

A era esquecida das torres de luar

Nova Orleans iluminada pela torre de luar, 1883. Ilustração de JO Davidson

Embora a invenção da lâmpada de arco voltaico foi um feito notável, tornou-se óbvio que a sua utilização seria limitada. A luz produzida pela lâmpada de arco era muito intensa para ser suportado a curta distância, tornando-as impróprias para uso interno, como iluminação de ambientes. Mesmo quando instaladas ao ar livre, estas lâmpadas necessitavam de uma blindagem especial para reduzir o brilho, e isso significa que grande parte de sua luz seria desperdiçada. A cidade de San Jose, na Califórnia, tentou resolver o problema em 1881, colocando as lâmpadas de arco de carbono em cima de uma torre com 72 metros de altura. Um total de 6 lâmpadas de arco voltaico foram instaladas ostentando uma produção total de luz de 24.000 candelas.

Inspirado em San Jose, muitas cidades americanas e europeias começaram a implantar torres de iluminação em suas cidades, que vieram a ser conhecidas como “moonlight tower” ou torres de luar, porque suas enormes luzes serviam para substituir a luz de uma lua obscurecida. Uma única torre iluminava vários quarteirões de uma só vez, e projetava luz tão longe como 1.500 metros de distância.

A era esquecida das torres de luar

Torre de luar em frente a prefeitura de Detroit, Michigan, EUA, em 1900 | Crédito da foto

Uma das principais desvantagens das torres de luar eram que precisavam ser reparadas durante a noite, pois as primeiras lâmpadas de arco duravam apenas uma ou duas horas, devido a curta vida útil das varetas de carbono, precisando ser frequentemente substituídas (modelos posteriores poderiam durar a noite toda). As substituições e as alturas das torres acabaram sendo um grande desafio adicional. Devido aos custos e a dificuldade na substituição das varetas, as lâmpadas de arco não foram completamente eliminadas, mas progressivamente sendo substituídas pelas lâmpadas a petróleo, a querosene e depois a gás como iluminação nas ruas. Na maioria das cidades americanas, as torres de iluminação não eram as únicas, sendo complementadas com lâmpadas de gás e petróleo. A cidade de Detroit foi a única grande cidade nos EUA, iluminada exclusivamente pelo sistema de torres de luar.

Detroit ergueu um total de 122 torres, com alturas que variavam de 30 a 55 metros, iluminando 34 quilômetros quadradas da cidade. Na época, era a cidade mais iluminada do mundo e era considerada como o futuro da iluminação de rua, sendo exemplo para as cidades dos Estados Unidos e o mundo. Em 1884 existiam mais de 90.000 lâmpadas de arco de carbono iluminando as cidades americanas, e esse número subiu para 235.000 em 1890, e esses números triplicaram depois de quinze anos.

As lâmpadas de arco voltaico continuaram em uso até por volta de 1920. Thomas Edison melhorou substancialmente as lâmpadas incandescentes que usavam filamentos. Estas lâmpadas tinham vidas mais longas e poderiam ser produzidas em potências menores, permitindo-lhes ser usadas dentro de edifícios e pequenos ambientes. Eventualmente, as lâmpadas incandescentes e lâmpadas de halogêneo substituíram mais tarde as lâmpadas de arco.

A maioria das torres de iluminação foram demolidas durante as duas primeiras décadas do século 20. Algumas desabaram durante tempestades e tornados. As únicas que permaneceram em pé até hoje estão em Austin, Texas, e continuam sendo usadas, embora não usam mais lâmpadas de arco. A cidade originalmente havia comprado 31 torres de luar de Detroit, e dessas, 17 ainda existem. Muitos alegam que Austin utilizou tais torres para inibir as ações de um serial killer conhecido como “Servant Girl Annihilator” que aterrorizou a cidade entre 1884 e 1885, entrando nas casas e matando mulheres enquanto dormiam.

Enquanto torres de iluminação tornaram-se obsoletas e extintas, as lâmpadas de arco continuaram sendo usadas em outras aplicações, tais como a projetores cinematográficos, holofotes e outros. Mesmo nestas aplicações, as lâmpadas de arco de carbono convencionais estão sendo substituídas por lâmpadas de xênon e outras.

Fontes: 1 2

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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