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Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

O Reino do Butão (que significa: Terra do Dragão) é um país com uma população de 2,2 milhões de pessoas localizado no sul da Ásia, no extremo leste do Himalaia, fazendo fronteira ao norte com a China e ao sul, leste e oeste com a Índia. Há séculos o Butão celebra o órgão sexual masculino e por todo o país se pode encontrar pênis eretos e muitos deles, ejaculando pintados nas paredes das casas, em placas ou esculpidos em madeira para atrair boa sorte e afastar os espíritos malignos.

Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

Templo Chimi Lhakhang

Também são usados em colares e instalados em celeiros e nos campos para atuar como uma espécie de espantalho, bem como, vendidos aos turistas em todos os tamanhos e cores. O país abriu suas portas ao turismo internacional somente na década de 1970, e também se abriu ao mundo desde então, sendo considerado um dos países com a população mais feliz do mundo.

Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

Ao pé das montanhas do Himalaia próximo a Lobesa no Vale de Punaskha, se encontra um antigo mosteiro budista chamado Chimi Lhakhang (que significa: Templo do Divino Louco), um templo dedicado à fertilidade e ao “falo sagrado”. No templo se encontra um grande falo de madeira atravessado por um espada, e pendurado acima do altar principal. Também pode ser encontrado no templo um pênis de bambu, revestido de prata que Drukpa Kunley havia trazido do Tibete. Uma placa de “boas vindas” esculpida na forma de um pênis convida os visitantes a explorarem o mosteiro e Yowakha, a aldeia na adjacência, onde todas as casas tem pênis pintado em suas paredes.

O mosteiro foi construído em 1499 em um morro próximo ao rio Puna Tsang, por Ngawang Choegyel, que dizem ser a 14º reencarnação de Drupka Kunley (1455-1529) conhecido por “O Santo das 5.000 mulheres“, que foi um lama do Tibete que se mudou para o Butão para disseminar o budismo. De acordo a lenda local, o lama viveu por 115 anos.

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Os moradores locais dizem que a tradição de cultuar o genital masculino como algo sagrado, partiu de uma lenda que dizia: Que um demônio assombrava uma passagem de montanha chamada Dochula, que fica nas proximidades do templo. Drupka Kunley, também conhecido como Kunga Legpai Zangpo transformou o tal demônio em um cachorro vermelho ao mostrar-lhe seu pênis e trancou-o numa estrutura fora do templo chamada ‘chorten‘, onde permanece aprisionado até hoje. A estrutura é amplamente decorada com muitos pênis.

Outra versão da lenda, segundo uma história oral compilada nos anos 1960 e traduzida para o inglês como “The Divine Madman: The Sublime Life and Songs of Drukpa Kunley” [O Divino Louco: a Vida Sublime e as Canções de Drukpa Kunley], o lama construiu um “stupa”, ou monumento, no local onde um seguidor morreu depois de repetir uma oração obscena que o lama lhe havia ensinado. (“Eu me refugio no lótus da virgem“, começa um verso).

Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

Drupka Kunley era também chamado pela população de “Louco Divino” devido aos métodos não convencionais ao ensinar sobre o budismo. Aos vinte anos após sair do mosteiro no Tibet se tornou mendigo, acompanhado de um cachorro e em muitas gravuras, era exibido sempre levando um arco e fechas na mão. Mais tarde, já no Butão, era considerado um bêbado e sedutor que dominava tanto as mulheres como os demônios com sua espiritualidade acentuada. Autoproclamou seu pênis de “Raio Flamejante de Sabedoria” e usava-o para combater demônios e também como ferramenta para converter as pessoas ao budismo.

Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

Entre outras coisas, as mulheres buscavam sua bênção na forma de sexo. Sua intenção era mostrar que é possível ser esclarecido, transmitir iluminação e ainda levar uma vida sexual muito saudável. Ele demonstrou que o celibato não era necessário para ser esclarecido. Além disso, ele queria ampliar a gama de meios pelos quais a iluminação poderia ser transmitida, ao mesmo tempo em que adicionava novas perspectivas evolutivas à tradição abrangente.

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Drukpa enxergava em alguma mulheres sinais das dakinis (a emanação feminina de Buda), e as iluminava através do sexo e assim as liberavam, iluminando-as, transformando-as em um corpo de luz. Acreditasse que o lama budista fez sexo com 5.000 mulheres e trocava ensinamentos em troca de vinho, e por incrível que parece, conquistou a simpatia da população. Uma frase atribuída ao Divino Louco dizia: “O melhor vinho está no fundo do balde, e a felicidade fica abaixo do umbigo“.

Ele era conhecido por ter um senso de humor debochado, e seus seguidores acreditam que seu mestre numa reencarnação passada, construiu o “templo do pênis” como um gesto de zombaria contra a rigidez de outros mosteiros. A região orgulha-se de sua história e uma placa na entrada da aldeia explica aos estrangeiros que os pênis “simbolizam o desconforto que a sociedade manifesta quando enfrenta a verdade“. Outro mosteiro da região, Tango Goemba, é o guardião de uma thangka (uma pintura religiosa) sobre a qual Kunley teria urinado em cima.

Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

Até hoje, casais esperançosos atravessam o Butão para participar da bênção da fertilidade no mosteiro, e também mulheres que desejam engravidar. Para chegar lá, eles sobem o morro a pé depois de passar pelos vilarejos de Sopsokha e Teoprongchu. O que tornou essa região famosa, porém, são os falos, uma atração para os estrangeiros que pagam a taxa de US$ 250 por dia que o Butão exige para os vistos de turismo. E mais turistas, talvez inevitavelmente, significam mais pênis.

Chimi Lhakhang, o templo dedicado ao pênis

O lama Drupka Kunley (1455-1529) muitas vezes é retratado nu da cintura para cima

Na vila com uma população de 2.700 habitantes adjacente ao templo, todo ano é realizado o festival tsechu, em comemoração ao órgão genital masculino, e os tsaras (palhaços mascarados) estão vestidos com roupas em que pênis estão pintados nos tecidos e dançam segurando um falo de madeira nas mãos.

Um pênis de madeira também é usado em um ritual interessante realizado como parte das cerimônias para abençoar uma nova casa. Cestos de falos de madeira são colocados nos quatro cantos do beiral da casa e um dentro da casa. O proprietário da residência solicita que algumas pessoas lhe ajudem a levantar a cesta até o telhado. No processo, os homens e as mulheres cantam e recebem bebida alcoólica do proprietário, em sinal de agradecimento.

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Fontes: 1 2 3

“Liberdade de voar num horizonte qualquer, liberdade de pousar onde o coração quiser”. – Cecília Meirelles

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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