Cerca de cinquenta quilômetro ao sul de Vitória, capital do estado do Espírito Santo se localiza Guarapari, um destino turístico muito popular. Conhecida por suas praias de areia branca, Guarapari é um refúgio de férias popular para turistas do interior de Minas Gerais, bem como para moradores de Vitória e Vila Velha. Embora nosso país tenha um longo litoral e centenas de quilômetros de praias, Guarapari é um dos poucos lugares onde a areia é naturalmente radioativa.

Guarapari, a praia de areia radioativa

Praia dos Padres, Guarapari | Crédito da foto

A areia da Praia de Meaipe e na Praia de Areia Preta em Guarapari contém monazita, um mineral fosfato principalmente marrom-avermelhado que contém vários elementos pesados, incluindo urânio radioativo e tório. O termo “monazita” provém do grego monazein, que quer dizer “estar solitário”, o que indica sua raridade, pois na época só havia conhecimento da existência desde mineral na África do Sul, em Madagascar e no Brasil.

Guarapari, a praia de areia radioativa

Extraindo areia das praias em 1910 | Crédito da foto

O nível de radiação na areia das praias de Guarapari é de cerca de 20 milisieverts (mSv) por hora. Em alguns pontos, pode chegar a 131 mSv por hora. Para contextualizar, uma única radiografia de tórax pode fornecer 100 mSv. A monazita na areia do Brasil foi notada pela primeira vez na areia carregada em lastro de navio pelo cientista austríaco Carl Auer von Welsbach na década de 1880.

Von Welsbach estava procurando tório, utilizado na fabricação de camisas incandescentes para a iluminação a gás, recém-inventados (o tório se aquecido produz uma luz forte de duradoura). A areia monazítica foi rapidamente adotada como fonte de tório e se tornou a base da indústria de terras raras.

As minas de monazita no sul da Índia e no Brasil dominaram a indústria antes da Segunda Guerra Mundial, após a qual as principais atividades de mineração foram transferidas para a África do Sul e Austrália. Com o advento da eletricidade, a partir da década de 20, houve um declínio no consumo de monazita, até que a pesquisa sobre energia atômica, na época da Segunda Guerra Mundial colocou novamente a monazita em evidência.

Guarapari, a praia de areia radioativa

Praia da Areia Preta nos anos 50 | Crédito da foto

A relação da areia radioativa de Guarapari com a terapia medicamentosa foi feito pelo médico Silva Mello em 1972, que defendia deitar na areia para se curar da artrite e do câncer. Em seu livro Guarapari: Milagre da Natureza, Mello expôs as virtudes da radiação natural e, como resultado, milhares de turistas passaram a visitar a região do entorno da cidade de Guarapari.

De acordo com as pesquisas do médico, há três tipos de areia em Guarapari: Ilmenita, Granada e Monazítica. A Ilmenita é de cor preta, constituída de titânio, ferro magnético e outros metais. A Granada, de cor vermelha, apresenta-se em pequenos cristais. Contém proporções variáveis de alumínio, ferro, cobre, cálcio, magnésio, manganês e outros metais. Já a Monazítica, de cor amarela, é um fosfato de diversos metais, que contém tório, de onde se extrai o hélio e outros elementos usados na desintegração atômica. A cidade ficou conhecida mundialmente como “Cidade Saúde“, na década de 60.

Guarapari, a praia de areia radioativa

Processando areia monazítica | Crédito da foto

Muitas pessoas se cobrem completamente com a areia monazítica, supondo que esta seja saudável e possa curar suas doenças. A indústria do turismo no estado definitivamente lucrou com esse fato. As supostas propriedades terapêuticas da areia de Guarapari são exaltadas em anúncios da mídia por todo o país.

A Agência Nuclear Brasileira não recomenda ficar na praia por longos períodos, pois o campo de radiação gama é bastante intenso na praia. A radiação gama de alta energia pode penetrar no corpo e causar câncer de pele e danificar o tecido. Se inalada, a radiação alfa da areia pode causar câncer de pulmão.

Guarapari, a praia de areia radioativa

Imagem antiga mostrando uma das praias de Guarapari | Crédito da foto

A Agência propôs que a areia preta, que contém alta concentração de monazita, seja removida para benefício dos turistas. A despesa incorrida nesta operação poderia ser facilmente recuperada pela extração da monazita da areia e venda dos minerais. Aliás, todo o litoral brasileiro, desde o norte do Rio de Janeiro até a região sul da Bahia, distando cerca de 800 quilômetros, é rico em monazita e existem bastantes indústrias de produção de minerais pesados na região.

Guarapari, a praia de areia radioativa

Ensacando a areia monazítica de Guarapari | Crédito da foto

Guarapari, a praia de areia radioativa

Praia da Areia Preta, década de 50 | Crédito da foto

Guarapari, a praia de areia radioativa

Praia das Castanheiras nos anos 50 | Crédito da foto

Fontes: 1 2 3

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