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Mina Mir, o umbigo da Terra

Mina Mir, o umbigo da Terra

Mina Mir foi uma mina de extração de diamante a céu aberto localizada em Mirny, na Sibéria, Rússia. É um enorme buraco com 525 metros de profundidade e 1.200 metros de diâmetro, sendo o segundo maior buraco escavado no mundo após a Mina do Cânion de Bingham, também na Sibéria. Mir acabou ficando tão gigantesca e profunda que o governo russo precisou interferir no tráfego aéreo da região, alterando a frota de aviões que eventualmente acabassem sobrevoando o local. A medida foi tomada depois que alguns helicópteros acabaram sendo “engolidos” pela mina. Esses acidentes provavelmente aconteciam devido às diferentes massas de ar criadas pelas variações de temperatura na superfície do buraco. Só para ter uma ideia da dimensão do buraco, a estrada que circundava a mina até o fundo tinha oito quilômetros de extensão. A cidade de Mirny, foi construída à beira deste buraco e tem uma população de 35 mil habitantes.

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A construção da mina teve início graças a um plano de Joseph Stalin, que via, na exploração de diamantes, uma forma de proporcionar independência à União Soviética. Na época, a mina era monopolizada pela companhia de diamantes De Beers. Os primeiros vestígios de diamantes foram encontrados em junho de 1955, pelos geólogos soviéticos Yuri Khabardin, Ekaterina Elagina e Viktor Avdeenk, que encontraram traços da pedra vulcânica conhecida como Kimberlito, uma formação rochosa que geralmente está associada à presença de diamantes. Após diversas expedições realizadas durante as décadas de 1940 e 1950, este foi o primeiro caso de sucesso na procura de kimberlito na Rússia. Yuri Khabardin recebeu pela descoberta o Prêmio Lenin, uma das mais altas condecorações da União Soviética, em 1957.

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Quando a escavação realmente começou, os mineradores enfrentaram problemas principalmente por causa do inverno siberiano, que não apenas é extremamente frio como costuma durar longos períodos. No início, o solo estava congelado, o que dificultava ainda mais a escavação – só para você ter ideia, até mesmo o combustível e os pneus dos carros congelavam. Para driblar o problema, os funcionários precisaram utilizar meios mais sofisticados de maquinários. O gigantesco buraco era aberto aos poucos e, à noite, tudo precisava ser coberto para evitar o congelamento das máquinas. A expressão “ser mandado para a Sibéria“, ficou conhecida pelo mundo todo. Isso porque era uma punição aplicada desde os tempos dos czares, e depois muito utilizada pelo regime comunista no século 20. Milhões de pessoas foram mandadas pra lá. A Sibéria era conhecida como prisão sem muros, sem grades. Isso porque a região era tão distante de tudo que era impossível escapar.

Apesar de toda a dificuldade de escavação, a mina rendia 10 milhões de quilates de diamantes por ano – desses, 20% eram considerados de alta qualidade. Depois de dez anos de exploração, a Rússia já tinha se tornado a terceira maior produtora de diamantes de todos os tempos. A Mina Mir foi a primeira e mais ampla mina de diamantes da União Soviética. Com o colapso da União Soviética, passou a ser administrada pela companhia Sakha, cujos relatórios oficiais detalhavam lucros anuais de mais de 600 milhões de dólares. O maior diamante descoberto na Mir foi encontrado no dia 23 de dezembro de 1980, quando uma pedra de 342,5 quilates pesando 68 gramas foi localizada.

Mina Mir, o umbigo da Terra

Considerada o segundo maior buraco feito pelo homem em todo o mundo, essa mina é conhecida também como o “Umbigo da Terra”, devido ao seu formato. A Mir esteve em funcionamento de 1957 a 2001, quando foi fechada, depois de 44 anos de operação.

Os diamantes são cristais de carbono puro formados em temperaturas em torno de mil graus centígrados. Eles chegam à superfície através de um tipo de atividade vulcânica. É como se fosse um elevador que sobe rapidamente das profundezas do nosso subterrâneo para o térreo. Quando sobe o magma, aquela massa mineral incandescente e pastosa, os diamantes vêm junto. Os diamantes chegam ao fim dessa viagem envoltos numa massa de terra que tem a forma de uma esguia taça de champanhe. O buraco da mina de Mirny seria a parte mais larga, mas resta o pé da taça ainda para ser explorado.

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A única atividade que ainda existe no buraco é a retirada da água. Água que brota das paredes e, em outros meses, da neve derretida. Mas por que não deixar tudo encher de água e transformar esse buracão em um belo lago? Isso porque a mina continua, na verdade, a existir. Mas muito mais profunda: a 1,2 mil metros existem homens trabalhando. Os russos fizeram uma entrada paralela para essa nova mina, agora subterrânea. Lá ainda existe diamante para mais 30, 40 anos. É uma estrutura enorme, porque a retirada de diamantes nessa escala é um processo industrial muito mais complexo. Frotas de caminhões levam toneladas de terras que são lavadas para que se possa separar os diamantes. Isso necessita muita água, e gera muita poluição. Os rios em torno da cidade sofrem com isso. Mas Mirny só existe por causa dos diamantes.

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O geólogo Ilya Korokov é um dos mais importantes da Rússia. Num dos livros escritos por ele, se podem ver os diversos tipos de diamante. E é curioso porque, de certa forma, os diamantes em estado bruto são uma decepção. Cortadas e lapidadas, as pedras ficam muito mais brilhantes, mais vivas. Mas o gosto por eles é relativamente recente, tem menos de cem anos. No começo do século passado, uma agência de propaganda americana criou o slogan que todo mundo hoje conhece. Dizia: um diamante é para sempre! Comprar e dar um anel de diamante no casamento simbolizaria uma união eterna, brilhante e sólida. A ideia pegou.

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Atualmente a exploração dos diamantes é feito através de um túnel com 1.200 metros de profundidade, como vistos nas imagens a seguir. Caminhões levam a terra escavada para a superfície onde é lavada a procura dos diamantes.

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Fotos: Stepanov Slava

Fontes: 1 2

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