As vilas de Mawsynram e Cherrapunji, no estado indiano de Meghalaya (que significa Morada das Nuvens), estão localizadas numa área considerada das que mais chove no planeta, com uma média anual de 11.871 mm e elas, estão distante entre si por 15 quilômetros. A região recebe esse volume todo de água devido ao maciço montanhoso coberto de floresta tropical que se levanta junto a planície de Bangladesh, com seu ponto mais alto, com 1372 metros de altitude e retém as nuvens.

Pontes vivas de Meghalaya, na Índia

Vila de Mawsynram | Crédito da foto

Por necessidade, os khasi, moradores da região, usam um guarda chuva de corpo inteiro feito de bambu e folhas de bananeira, chamado de knups, e mesmo com toda a chuva que cai na região, são obrigados a trabalharem a céu aberto, atrás do sustento de suas famílias. Talvez por ser um lugar frequentemente assolado por chuvas torrenciais, havia a necessidade de se ter pontes fortes, que aguentassem a força dos rios e assim, os habitantes acabaram cultivando suas pontes, em vez de construi-las.

E assim, os khasi criaram uma das características mais fascinantes e belas da região que são as pontes vivas, que foram moldadas durante séculos, com as raízes e galhos de uma determinada árvore, sendo emaranhados e forçados a seguirem uma direção, para que, depois pudessem ser usadas com segurança para atravessar rios e desfiladeiros, e algumas dessas pontes desenvolvidas são tão antigas, que tem mais de 250 anos e elas continuam a crescer e a fortalecer-se ao longo dos anos. Eles criaram uma solução arquitetônica e ecológica única no mundo, uma rede de pontes e escadarias que atravessam o seu território, e que são literalmente à prova d’água.

A árvore Ficus elastica, espécie de árvore-da-borracha indiana, é muito comum em florestas tropicais do Sudeste Asiático. Crescem sobretudo nas margens dos rios, envolvendo rochedos e o chão numa rede de raízes aéreas que procuram solo estável em todas as direções, de maneira a sustentar a árvore. Os khasi aproveitam o potencial destas raízes, dirigindo-as para a outra margem, sustentando-as com uma estrutura de troncos ocos da árvore de bétel ou bambu, tecendo-as e reforçando-as até a árvore crescer e formar uma ponte com força e tamanho para poder ser atravessada. Ao mesmo tempo, é preciso alimentar as raízes, colocando folhas e casca de árvores nos troncos que as guiam, até conseguirem atingir o solo, do outro lado do rio, e começarem a alimentar-se por si próprias. O processo demora quarenta a cinquenta anos até se conseguir uma ponte grande e sólida, verdadeira obra de amor dedicada às gerações seguintes.

Quanto mais antiga é a árvore, mais forte é a ponte. E cada ano fica mais robusta. Enraizada no chão, aguenta a violência dos rios que descem as montanhas, arrastando pedras e troncos. A estrutura mostra que estas pontes juntam a beleza de uma árvore com a de uma tapeçaria: raízes da grossura de um vime entrelaçam-se com raízes da grossura de um braço, numa complexa teia de texturas e idades; de um lado e do outro do rio, os “pilares” são troncos gigantescos com uma coroa de folhas que não deixa ver o céu. É um costume khasi que cada pessoa que atravessa uma ponte lhe dê mais um nó, ou corrija a direção das jovens raízes; a ponte pertence à comunidade e aos seus filhos, que aprendem naturalmente a continuar o trabalho.

Pontes vivas de Meghalaya, na Índia

Pontes vivas de Meghalaya, na Índia

Uma ponte nova acima sendo desenvolvida para substituir uma mais antiga | Crédito da foto

Pontes vivas de Meghalaya, na Índia

Pontes vivas de Meghalaya, na Índia

Pontes vivas de Meghalaya, na Índia

Fontes: 1 2

“Há mais mistérios entre o Céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia.” – William Shakespeare

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Sobre o Autor

Curioso desde sempre, queria um lugar para guardar às curiosidades de lugares e histórias inusitadas que lia em livros ou pela internet e assim nasceu o site Magnus Mundi em 2015. Me chamo Julio Cesar, sou natural de Blumenau e morador de Porto Belo, litoral de Santa Catarina.

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