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Cannibal Holocaust, o filme que levou seu diretor a prisão

Cannibal Holocaust, o filme que levou seu diretor a prisão

Cannibal Holocaust (Holocausto Canibal) é um filme de terror lançado em 1980, com direção de Ruggero Deodato e roteiro de Gianfranco Clerici. Filmado na Amazônia, o filme conta a história de quatro documentaristas que embrenham-se na selva para filmar indígenas. Dois meses mais tarde, depois que o grupo não retorna, o famoso antropólogo Harold Monroe viaja em uma missão de resgate para encontrá-los. Ele consegue recuperar as latas de filme perdidas, que revelam o destino dos cineastas desaparecidos.

O filme é estrelado por Robert Kerman como Monroe, Carl Gabriel Yorke como diretor Alan Yates, Francesca Ciardi como a namorada de Alan, Faye, Perry Pirkanen como o cinegrafista Jack Anders e Luca Barbareschi como o cameraman Mark Tomaso. Robert Kerman era um ator pornô tentando estabelecer-se em filmes tradicionais. Após este filme, no entanto, ele não conseguiu mais papéis nos filmes comuns e voltou para a realização de filmes pornográficos.

Cannibal Holocaust, o filme que levou seu diretor a prisão

A produção começou em 1979, quando Deodato foi contatado por produtores de filmes alemães para fazer um filme semelhante ao Último Mundo Canibal. Cannibal Holocaust é um filme conhecido pela controvérsia e polêmica que causou logo após sua estreia em Milão, na Itália. O filme foi apreendido por um magistrado local, e Ruggero Deodato foi preso por acusações de obscenidade, 10 dias após a estreia. Mais tarde ele foi acusado de ter feito um filme snuff (onde atores morrem de verdade), devido aos rumores que afirmavam que certos atores foram realmente mortos. Essa crença foi fortalecida pelo fato de existir um contrato firmado entre diretor e elenco, estabelecendo que estes só poderiam mostrar as caras em qualquer instrumento de mídia depois de um ano da estreia do filme.

Cannibal Holocaust, o filme que levou seu diretor a prisão

Não demorou muito e a suspeita ganhou o noticiário: após as primeiras exibições públicas de “Canibal holocausto”, em 1980, o cineasta em questão, Ruggero Deodato, foi convocado a se defender das acusações de crueldade com animais e assassinato em primeiro grau. Livrou-se delas, porque durante a audiência, os atores da obra adentraram a corte italiana e, afinal, mostraram ao juiz que estavam vivos. Ele ainda tinha que provar, no entanto, que a cena do empalamento foi apenas um efeito especial. No tribunal, ele explicou como o efeito foi conseguido: um assento de bicicleta foi anexado ao final de um poste de ferro, sobre o qual a atriz se sentou. Ela, então, colocou um pequeno pedaço de madeira na boca e olhou para o céu, dando a aparência de empalamento. Deodato também forneceu imagens da menina interagindo com a equipe após a cena havia sido filmada. Depois de apresentadas essas evidências, as acusações foram retiradas e o diretor liberado. Ainda assim, o filme foi o mais censurado de todos os tempos, bem como proibido em mais de cinquenta países.

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Deodato provou que nenhum ser humano perdeu a vida, mas não podia negar a matança de animais e causou indignação compreensível e protestos de ativistas dos direitos dos animais. Os animais abatidos no filme foram entregues às tribos como alimento, para que eles não fossem mortos apenas para o filme, mas servissem de comida para os nativos. Ruggero Deodato ainda afirmou que mais tarde se arrependeu de filmar mortes reais de animais. Os animais mortos foram um quati ou coatimundi (erroneamente chamado de rato almiscarado no filme), uma tartaruga de rio, uma cobra, uma tarântula, um par de macacos-esquilo e um porco.

Cannibal Holocaust, o filme que levou seu diretor a prisão

Apesar de Deodato ter sido posteriormente inocentado dessas acusações, o filme foi proibido na Itália, Reino Unido, Austrália e em vários outros países devido à sua representação gráfica de gore (subgênero do cinema de terror que, deliberadamente, se concentra em representações gráficas de sangue e violência gráfica), violência sexual e a inclusão de seis mortes reais de animais. Muitos países já revogaram a proibição, mas o filme ainda é barrado em várias nações. Essa notoriedade, não obstante, fez com que alguns críticos vissem Cannibal Holocaust como um comentário social sobre a sociedade civilizada. No Brasil o filme foi classificado para maiores de 18 anos.

Cannibal Holocaust, o filme que levou seu diretor a prisão

O filme permanece hoje como uma referência no cinema de terror e a sua influência extravasa a sétima arte. Muitos citam a obra-prima de Deodato como sendo a inspiração base dos seus trabalhos, desde as artes plásticas à música (caso da banda portuguesa de grindcore Holocausto Canibal). O que enobrece Cannibal Holocaust e dá dignidade ao filme é a profunda mensagem do filme, mesmos que Deodato em entrevistas absteve-se de defini-lo como horror, uma vez que enfatiza, que o filme lida apenas com “coisas reais”.

A sua crítica é dirigida ao “mundo civilizado” e você pode ver desde a primeira cena, em que um repórter fala sobre canibais e a câmera corta para a vida metropolitana de Nova Iorque. Deodato ataca principalmente os crimes e massacres cometidos pelo homem moderno, muito pior do que o canibalismo e rituais tribais, até plantando na mente do espectador as sementes da dúvida e fazê-lo querer saber sobre o comportamento do homem ocidental no mundo contemporâneo. O diretor vai até o limite e envolve o espectador, o usuário final e satisfeito com todas as iniqüidades deste mundo, resumidos em pouco mais de uma hora e meia de filme.

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Deodato explicou que Cannibal Holocaust é sua resposta indignada ao torpor que viu embrulhar o mundo no final dos anos setenta. A guerra no Vietnã e as ditaduras africanas foram o pano de fundo para os Anos de Chumbo distantes da Itália e Deodato afirmou que tinha proibido seu filho de continuar assistindo televisão, de tão chocado com o nível de violência que passava em alguns notíciarios. O problema, de acordo com o diretor, não era sobre a violência no filme, mas a incapacidade do público de prestar atenção uns aos outros na tela e moldá-la com o direito de interpretação histórica. Parece que Deodato, com o seu filme, ele não só queria protestar contra o estado que afligem o mundo desde as últimas guerras, mas também apontar o dedo a esses episódios históricos que ensanguentou regiões inteiras e exterminou inúmeras culturas.

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Filme completo

Fontes: 1 2

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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