Entre as íngremes montanhas dos Andes e as imensas florestas tropicais da região do Amazonas, no Peru, existem surpreendentes sítios históricos que documentam a história do povo Chachapoya, que teve que se render aos Incas, poucos anos antes da chegada dos conquistadores espanhóis.

No filme de estreia da trilogia “Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida“, o ator Harrison Ford interpretando o personagem Indiana Jones procura um ídolo dourada nas ruínas de um templo de Chachapoyan. Provavelmente está é uma cena clássica de Hollywood, mas a história por trás da misteriosa civilização Chachapoya é tão fascinante quanto.

Muito pouco se sabe sobre esse povo misterioso: eles são conhecidos apenas pelo nome que lhes foi dado pelos Incas, Chachapoya. Este nome vem da língua ameríndia, quíchua e é uma combinação de duas palavras: sach’a, que significa “árvore/floresta“, e phuyu, que significa “nuvem“.

Talvez por isso também tenham sido chamados de “guerreiros das nuvens”, apelido que enfatiza seu caráter guerreiro, em defesa de seu território nebuloso: mesmo após a conquista, muitos grupos rebeldes permaneceram ativos, que por muitos anos dificultou a vida dos invasores.

A maior parte do que sabemos deste povo vem de fontes incas ou espanholas, e os Chachapoyas eram conhecidos como guerreiros aguerridos e arquitetos incríveis.

Um dos sítios arqueológicos mais extraordinários deste povo é o de Carajía (ou Karajia), a cerca de sessenta quilômetros a nordeste da de cidade de Chachapoyas, na ravina Caragía no distrito de Luya, onde seis sarcófagos olham orgulhosamente para o abismo que se abre a seus pés.

Os monumentos funerários localizam-se em posição quase inacessível, a mais de 2.000 metros acima do nível do mar e a uma altura de 200 metros do fundo da garganta de um rio. A inacessibilidade do local permitiu que se mantivessem a salvo de depredadores, preservando esses achados extraordinários de uma civilização quase perdida. Os “Purunmachos“, como os locais chamam de “Antigos Sábios“, foram expostos ao mundo em 1984, após sua descoberta pelo arqueólogo peruano Federico Kauffmann Doig.

Os sarcófagos, que lembram o contorno de um corpo humano, têm o aspecto de um grande ataúde de 2,5 metros de altura, e foram construídos com uma mistura de argila, palha e cascalhos espalhados sobre uma estrutura de madeira, e cada um tem espaço para abrigar uma múmia.

Aparentemente, as múmias de pessoas importantes foram enterradas nesses sarcófagos, colocadas em posição fetal, enroladas em um casulo de talos de cana selvagem amarrados com barbante. Objetos de cerâmica e oferendas variadas acompanhavam os defuntos. Essas estruturas foram então cobertas com uma espessa camada de argila e palha como material de ligação.

Segundo a datação por radiocarbono, os sarcófagos datam do século 15, pouco antes da conquista dos Incas. Originalmente, havia oito sarcófagos, mas dois foram destruídos provavelmente durante o terremoto de 1928. Como os sarcófagos estavam unidos lateralmente, o que caiu acabou colapsando os que estavam nos lados adjacentes.

Isso permitiu reconhecer em detalhes o conteúdo destes caixões e inferir o conteúdos dos remanescentes, que assim não precisaram ser violados, permanecendo intactos. Roedores e aves de rapina tinham destruído parcialmente a múmia. Já o outro sarcófago estava vazio, a múmia e suas oferendas já não estavam lá.

As cápsulas funerárias são pintadas de branco e decoradas com pigmentos amarelos ocre e vermelhos, que definem alguns detalhes, como as túnicas emplumadas e os genitais. Algumas das capas são enfeitadas com chifres, imitando chifres de veado, enquanto outras têm crânios humanos incrustados, que se presume serem cabeças de troféu, um testemunho orgulhoso dos guerreiros das nuvens.

Os Sarcófagos de Carajia não são os únicos na área de Chachapoyas, mas são os mais importantes. Na margem ocidental do rio Utcubamba, ao norte de Kuelap, muitos outros sarcófagos de tamanhos variados foram registrados. No entanto, os sarcófagos são tão inacessíveis que apenas alguns arqueólogos e equipes de TV conseguiram chegar perto deles.



Fontes: 1 2

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Sobre o Autor

Curioso desde sempre, queria um lugar para guardar às curiosidades de lugares e histórias inusitadas que lia em livros ou pela internet e assim nasceu o site Magnus Mundi em 2015. Me chamo Julio Cesar, sou natural de Blumenau e morador de Porto Belo, litoral de Santa Catarina.

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