Meio Ambiente

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Desde a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos realizaram mais de 1.000 testes nucleares. A grande maioria feitos em “Nevada Test Site” e em vários outros locais pelo território americano, bem como nas Ilhas Marshall.  Mais de cem testes foram feitos no Oceano Pacífico.

O Atol Enewetak é um grande atol de corais com 40 pequenas ilhas, que somam apenas 6 km² de terra sobre o mar, em volta de uma lagoa com 80 km de diâmetro, no Oceano Pacífico, localizado à 305 quilômetros a oeste do Atol de Bikini. Sua população é de cerca de 820 pessoas (Censo de 1999 ). Os Estados Unidos obtiveram o controle de Enewetak como parte do território ocupado das Ilhas do Pacífico, que estavam sob o controle japonês que usava o atol como parada para reabastecimento de aviões que voavam nas rotas das Ilhas Carolinas e entre as outras ilhas Marshall. Após a captura de Enewetak, o lugar tornou-se uma importante base naval da Marinha americana e depois a ilha foi evacuada e os testes nucleares começaram.

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Runit Dome

Entre 1948 e 1958, o Atol Enewetak testemunhou 48 testes nucleares, incluindo o primeiro teste da bomba de hidrogênio, no final de 1952 como parte da “Operação Ivy Mike”, que vaporizou a ilha de Elugelab, deixando no lugar uma cratera de 2 km de diâmetro e 55 metros de profundidade. As pessoas de Enewetak foram forçadas a se mudarem a contra gosto para o Atoll Ujelang.

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Em 1977, num esforço para descontaminar as ilhas de Enewetak, os militares misturaram mais de 110 mil metros cúbicos de solo contaminado e detritos, retirados dos atóis de Enjebi, Lujor, Runit, Aomon e ilhas Boken com cimento, e depois depositados na cratera de 9 metros de profundidade por 107 metros de largura no marco zero da explosão de uma bomba atômica de 18 quilotons, de codinome “Cactus” em 5 de maio de 1958, no norte da ilha Runit, durante uma série de explosões, conhecido como “Operação Hardtack I”.

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Um sarcófago de 110 metros de diâmetro e 8 metros de altura, apelidada de “Runit Dome” composta de 358 painéis de concreto, cada uma com 40 cm de espessura, foi construída sobre o material. O custo final do projeto de limpeza foi de 239.000 mil dólares.

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Ao lado da Runit Dome, se vê a cratera “Lacrosse” feita num teste nuclear no dia 05 de maio de 1956, durante a “Operação Redwing”.

Em 1980, as autoridades anunciaram que o atol estava livre de contaminação e novamente seguro para ser habitado. No entanto, o modo de vida tradicional dos povos, a convivência com a natureza e meio ambiente, nunca mais será a mesmo. A contaminação radioativa mudou seu ambiente para sempre.

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Em 2000, os habitantes nativos de Enewetak foram indenizados com 340 milhões de dólares por danos causados por perda de uso das terras, miséria, deslocamento forçado e problemas de saúde entre a população. Esta compensação financeira não inclui a verba anual de 6 milhões de dólares, destinada pelo governo americano para programas de educação e saúde nas Ilhas Marshall.

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Atualmente se pode visitar a cúpula e andar na estrutura, mas ainda há várias placas no local, informando sobre o perigo da radiação.

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

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Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Runit Dome, a grande lata de lixo nuclear do Pacífico

Detonação da primeira bomba de hidrogênio no dia 01 de novembro de 1952, no atol de Enewetak

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Me chamo Júlio César e moro em Porto Belo, Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, uma revista digital feita para pessoas que gostam de ler e saber mais profundamente sobre lugares curiosos, estranhos ou inóspitos pelo mundo afora, bem como lendas, eventos e outros assuntos inusitados.

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