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Flor-cadáver, a imensa flor rara e fedorenta

Flor-cadáver, a imensa flor rara e fedorenta

A estranha Flor-cadáver tem o nome científico de Amorphophallus titanum, que significa “pênis gigante disforme”, é uma espécie vegetal que produz o que se considera a maior inflorescência do mundo. Nas raras vezes que desabrocha, a inflorescência chega a atingir três metros de altura e pode pesar até 100 quilos. A flor também é conhecida como Amorfófalo, Titan Arum, Corpse Flower ou Jarro Titã e muitas vezes é classificada erroneamente como a maior flor do mundo, quando na verdade trata-se de uma inflorescência, a formação de várias flores reunidas numa espiga. A maior flor do mundo é a Rafflesia arnoldii, sendo nativa do mesmo continente da flor-cadáver. Há uma lenda que diz que o apelido “flor-cadáver” teria surgido porque, quando a flor se abre, ela devora quem a cultivou.

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Florescendo de um tubérculo. Muttart Conservatory, Edmundo, Canadá | Crédito da imagem

Ela só floresce duas ou três vezes durante seus quarenta anos de vida e cheira mal para atrair moscas e besouros que se alimentam de carniça, responsáveis pela polinização da flor. A estratégia usada para fazer o cheiro ficar mais forte e atrair mais insetos, é a capacidade de criar calor, e sua temperatura interna pode chegar a 36,6 graus celsius e para isso, ela consome grande parte da energia que possui armazenada em um caule subterrâneo chamado de “rizoma”.

A planta floresce apenas quando a energia acumulada é suficiente, tornando o tempo entre a floração imprevisível, que vai desde alguns anos a mais de uma década. A abertura da inflorescência emite um odor atrativo. Na flor cadáver este aroma é geralmente muito desagradável, lembrando um cheiro de morte, deterioração e putrefação. Análises das substâncias químicas liberadas pelo espádice também incluíram outros odores como chulé, peixe podre, aroma floral doce e fezes humanas.

Após o estágio da floração, não demora muito para a flor morrer e voltar à sua forma normal, que é bastante simples. Durante a maior parte da vida de uma florcadáver, sua aparência é bem sutil e repete ciclos. Por exemplo, no primeiro ano e meio de vida, enquanto a raiz cresce, só é possível observar uma pequena folha na superfície. Após cada folha morrer, a planta fica dormente por seis meses até que uma nova folha apareça. Assim, vai repetindo ciclos até que a primeira flor desabroche, o que é impossível prever, mas que há registros de que pode levar até dez anos para acontecer.

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

A planta florescendo, mostrando flores masculinas e femininas na base da espádice | Crédito da imagem

Ela exige condições muito especiais, incluindo temperaturas quentes de dia e de noite e alta umidade, fazendo com que os jardins botânicos sejam bem adequados para conseguirem cultivá-la. De 1889 a 2008 só foram registrado, 157 casos de florescimento desse tipo de plantas em jardins botânicos. Descoberta pelo botânico italiano Odoardo Beccari, em 1879, a flor-cadáver é originária das florestas tropicais de Sumatra, uma ilha da Indonésia e é muito rara, sendo uma espécie ameaçada de extinção, devido aos desmatamentos das florestas tropicais.

O gênero Amorphophallus compreende cerca de 170 espécies, encontradas entre a África Ocidental e a Polinésia. Fora da Indonésia, a flor-cadáver floresceu pela primeira vez em onze anos, em 1889 no Royal Botanic Garden na Grã-Bretanha e causou tanta sensação que a polícia teve que controlar a multidão. Desde então, os jardins botânicos tem competindo para ver quem consegue a flor mais alta. Em 2005, em Stuttgart na Alemanha um flor-cadáver chegou a atingir o recorde de 2,94 metros. O recorde anterior era de maio de 2003 em Bona, quando a flor atingiu 2,74 metros.

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Jardins de Kew, Londres | Crédito da imagem

Nos EUA, a flor tornou-se famoso depois que apareceu no desenho animado “The Simpsons”, onde a flor supostamente envenenou a cidade de Springfield com gases venenosos. Quando a flor-cadáver floresceu pela primeira vez naquele país em 2005, na Universidade de Madison, as pessoas ficaram em longas filas para vê-la. O interesse do público foi tão grande, que a universidade instalou um sistema com registros atualizados em tempo real sobre a condição da planta e fotos dela foram vendidas num total de 50 mil dólares.

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Jardins de Kew, Londres | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Planta chamada ” Morticia” no Franklin Park Zoo, Boston, Massachusetts, EUA | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

No Royal Botanic Gardens, Melbourne, Austrália | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Bayreuth University, Alemanha | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Planta chamada “Morty” no Buffalo and Erie County Botanical Gardens, Buffalo, Nova York, EUA | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Bayreuth University, Alemanha | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Bayreuth University, Alemanha | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Bayreuth University, Alemanha | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Bayreuth University, Alemanha | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Bayreuth University, Alemanha | Crédito da imagem

Flor cadáver, a flor rara e fedorenta

Artigo publicado pela primeira vez em 6 de agosto de 2016

Fontes: 1 2 3

“Tudo o que o homem não conhece não existe para ele. Por isso, o mundo tem para cada um o tamanho que abrange o seu conhecimento”. – Carlos Bernardo González Pecotche

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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