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Acqua Alta, as enchentes de Veneza e Chioggia

Acqua Alta, as enchentes de Veneza e Chioggia

Todos os anos, entre o outono e a primavera do Hemisfério Norte, Veneza e a vizinha cidade costeira de Chioggia sofrem com as inundações temporárias causadas por marés excepcionalmente altas que ocorrem no norte do Mar Adriático. As inundações são periódicas, como qualquer maré alta, e atingem seu máximo na Lagoa de Veneza, onde causam inundações parciais de Veneza e Chioggia, e em casos graves, pode eventualmente ocorrer em 96% da região. O fenômeno é conhecido localmente como acqua alta.

Eventos de maré super-normais podem ser categorizadas como: “intenso” onde a maré sobre entre 80 a 109 centímetros acima do normal, “muito intenso”, quando o nível do mar medido está entre 110 e 139 centímetros acima do padrão, e “acqua alta“, quando excede 140 centímetros acima do nível do mar normal. Tais definições de medição foram feitas em inundações ocorridas na região em 1897. Porém, para a população, basta a maré ser maior que a normal, e invade áreas da cidade, já é chamada por esse nome.

Acqua alta ocorre quando as marés altas causadas pela atração gravitacional da lua coincidem com um forte siroco, um vento quente soprando através do Mediterrâneo, que força a água do Adriático até a lagoa de Veneza. Essa coincidência acontece de meados de outubro até o começo de dezembro. Como a acqua alta é um fenômeno de maré, dura de três a quatro horas, durante a maré alta.

Depois que água descer, a vida das pessoas voltam ao normal. A inundação pode durar um pouco mais se houver um siroco particularmente forte, mas assim que a maré diminuir, o fenômeno da acqua alta desaparece, o que acontece a cada seis horas. No entanto, dependendo da intensidade da acqua alta, algumas casas e empresas são evacuadas.

A inundação causada pela acqua alta não é uniforme em toda a cidade de Veneza. Um estudo encomendado pela administração da cidade mostrou que uma maré de até 90 centímetros acima do nível do mar deixa Veneza praticamente inalterada, enquanto que 50 centímetros de água adicional atingiu mais de um terço da cidade.

Como a acqua alta depende de uma confluência de tempo e marés, é previsível pelo menos dois dias antes de acontecer. A cidade mantém um serviço notificando os moradores sobre o perigo potencial, inclusive enviando SMS avisando sobre a próxima acqua alta. Um dos pontos mais baixos de Veneza é a Praça de São Marcos, portanto, uma área que é frequentemente alagada.

A cidade implementa uma série de ações para assegurar que as atividades da cidade continuem normalmente, apesar dos incômodos causados pelas inundações. Para permitir a circulação de pedestres durante a acqua alta, são instalados uma rede de passadiços (tábuas largas de madeira sobre suportes de ferro) reproduzindo os principais caminhos urbanos. Esse sistema de passarela geralmente fica a 120 centímetros acima do nível da água normal, o que pode resultar em inundações parciais ou completas quando ocorrem marés mais altas.

A frequência das ocorrências destas inundações têm crescido ao longo dos anos. Passou de menos de 10 vezes por ano, para mais de 60 vezes ao ano. O pior caso registrada de acqua alta foi em 1966, quando a água ultrapassou o nível da maré normal em 180 centímetros e 96% da cidade foi inundada. Em outubro de 2004 a altura das águas chegou a 135 entímetros e inundou 80% da cidade. Em dezembro de 2008, as tempestades no Mar Adriático produziram uma enchente que atingiu um recorde de 156 centímetros.

Acqua alta causa pouca inconveniência aos venezianos, que estão acostumados a esse fenômeno da natureza. Nesses casos, a única coisa a fazer é ter paciência e esperar algumas horas para a maré descer. Caso contrário, é comprar um bom par de botas de borracha.

 

Artigo publicado originalmente em julho de 2015

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