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Ilha Sentinela e a tribo mais isolada do mundo

Ilha Sentinela e a tribo mais isolada do mundo

Um americano de 27 anos foi morto a flechada ao desembarcar na ilha Sentinela do Norte, na baía de Bengala no arquipélago indiano de Andamão, no Oceano Índico. A ilha fica a 1.200 quilômetros da parte continental da Índia e a apenas 140 quilômetros de Sumatra, e localizada a oeste das Ilhas Andamão e tem uma área de aproximadamente 72 quilômetros quadrados. A ilha Sentinela do Norte é considerada a mais perigosa do mundo e politicamente pertence à Índia desde 1947. No entanto, o status da ilha é considerado como uma zona de exclusão, devido a não aceitação por parte dos sentineles de se integrar com o resto do país, assim, praticamente, é uma região autônoma da Índia.

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John Allen Chau era um aventureiro e um missionário cristão, e de acordo com um outro missionário amigo de John, seu objetivo era catequizar os habitantes da ilha. John chegou ao arquipélago em 16 de novembro, graças a pescadores que concordaram em levá-lo até a ilha, apesar do perigo óbvio do local. Os pescadores deixaram o americano nas proximidades da ilha e John foi remando em um pequeno caiaque até chegar na praia.

Ao desembarcar, ele foi atacado por homens com arcos e flechas. “Apesar dos projéteis lançados contra ele, John continuou a andar antes de ser atingido por várias flechas. Os pescadores então viram membros da tribo amarrarem uma corda no pescoço do americano e arrastá-lo pela praia. Os restos mortais do missionário foram deixados, praticamente enterrados na areia. John fez três tentativas de contato com os indígenas, sempre recebido a flechadas e na terceira, foi morto pela sua obsessão.

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Em seu diário, ele escreveu que no primeiro dia, uma flecha havia perfurado a Bíblia que tinha sobre seu peito, já no segundo dia, ele teve que voltar nadando ao barco dos pescadores, porque os nativos quebraram sua canoa. “Talvez me achem que sou maluco, mas acho que vale a pena levar Jesus para essas pessoas. Deus, eu não quero morrer!“, escreveu o americano em seu diário na noite anterior à sua morte, segundo a CNN. No diário, ele também questiona a Deus se a Ilha Sentinela do Norte era a “última fortaleza de Satanás”.

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A fim de proteger as populações insulares de Andamão e Nicobar, a Índia proibiu o contato com os povos tribais como os sentineleses desde 1956, exceto pelas poucas pessoas autorizadas pelo governo. A Ilha Sentinela do Norte o lar de uma tribo que vive isolada há 60 mil anos, descendentes diretos das primeiras populações humanas surgidas na África. A determinação é tanto para as culturas indígenas dos povos tribais, mas também para protegê-las de doenças que o sistema imunológico não protege, como a gripe e o sarampo. Desde 2017, tirar fotos e vídeos de tribos nas Ilhas Andamão e Nicobar é punível com três anos de prisão.

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Esta tragédia poderia ter sido evitada. A tribo da Sentinela já demostrou várias vezes que pretende permanecer isolada, e seus desejos devem ser respeitados“, disse Stephen Corry, diretor da organização Survival Internacional, que defende a preservação dos povos tribais. Depois do incidente, a organização teme pela sobrevivência da tribo, que atualmente consiste de apenas 50 a 150 pessoas.

Os sentineleses foram descobertos há vários séculos e já houve inúmeras tentativas de contato ao longo da História, incluindo os exploradores europeus em 1771 por uma embarcação de pesquisa da Companhia das Índias Orientais e até a guarda costeira indiana. Marco Polo havia passado pela área no final do século 13, descrevendo os andamaneses como “uma raça mais brutal e selvagem, com cabeças, olhos e dentes semelhantes aos dos cães. Eles são muito cruéis e matam e comem todos os estrangeiros a quem eles podem pôr a mão”.

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Em 1880, uma expedição liderada pelo antropólogo europeu MV Portman sequestrou um casal de idosos e quatro crianças da tribo para “estudá-los”. Para piorar as coisas, alguns morrerem logo depois pelas doenças trazidas pelos “brancos”. Em 1867, um navio mercante indiano chamado Nineva foi destruído nos recifes ao redor da ilha. Os 106 sobreviventes montaram um acampamento temporário e foram atacados uns dias depois. Os tripulantes conseguiram conter o pior ataque, mas se não fosse por um navio da Marinha Real que chegou pouco depois para resgatá-los, é improvável que o grupo aterrorizado tivesse sobrevivido.

Nos cem anos seguintes, a ilha e seu povo foram deixados em paz, mas os rumores sobre a ilha e seus habitantes belicosos continuaram. Nos anos setenta, a maioria dos povos nativos das Ilhas Andamão havia sido contratada pelos estrangeiros ou parcialmente integrada à modernidade pelo governo indiano, que achava que isso era parte integrante do progresso da área.

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Com isso em mente, um grupo de antropólogos, uma equipe de filmagem, um fotógrafo da National Geographic e uma equipe de policiais armados chegaram à ilha em 1974, na esperança de conquistar a amizade dos sentineleses usando o método tradicional dos colonizadores: gestos amigáveis e muitos presentes. Infelizmente para este grupo de idealistas, eles falharam. Ao descer em terra firme, eles colocaram itens como bonecas, potes, panelas, cocos e um porco vivo na praia. Um grupo de nativos se aproximou brandindo arcos e flechas que passaram a atirar nos intrusos. O diretor da equipe de filmagem foi atingido na coxa esquerda e o grupo fez uma rápida saída com o barco da zona de perigo e viram os índios espetando a boneca e matando o porco, e enterrando os presentes na areia.

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Este não foi o único encontro de tirar o fôlego que estrangeiros teriam com os sentineleses. Em 1981, um cargueiro panamenho, o Primrose, encalhou perto da ilha. A tripulação manteve os indígenas à distância com armas improvisadas. Depois de vários pedidos de socorro pelo rádio, conseguiram ser resgatados uma semana depois por um rebocador e helicópteros da Marinha Indiana. Em janeiro de 2006, dois pescadores foram mortos quando quebraram a regra de chegar muito perto da ilha e entraram em conflito com os sentineleses. Tão protetores são os sentineleses com seu território, que um helicóptero da guarda costeira indiana tentou recuperar os corpos dos pescadores que foram jogados numa vala na praia, que foram recebidos por uma saraivada de flechas e impedidos de pousar na areia. Mais uma vez, parecia que qualquer esperança de contato pacífico com os sentineleses havia sido frustado.

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No entanto, uma antropólogo conseguiu fazer um contato pacífico com os indígenas em 1991. Madhumala Chattopadhyay fez várias excursões pelas proximidades da ilha durante um período de vinte anos, observando homens, mulheres e crianças à distância antes de finalmente interagir com os nativos. Neste encontro, um grupo de homens sentineleses se aproximaram pacificamente de Madhumala e seus companheiros e até subiram no bote, e sendo curiosos com tudo.

Os sentineleses se comunicam entre si por meio de um dialeto completamente diferente dos utilizados pelos outros indígenas do arquipélago, o que sugere que eles tiveram muito pouco contato com seus “vizinhos” ao longo dos milênios. Contudo, apesar do isolamento, os pesquisadores explicaram que a tribo não se manteve na Idade da Pedra, e sabe-se que eles fabricam ferramentas e armas com metais, bem como flechas com metais afiados nas pontas – obtidas de navios naufragados na área.

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O americano John Allen Chau em primeiro plano

A ilha Sentinela do Norte se encontrava no caminho do devastador tsunami que atingiu várias regiões do Índico em dezembro de 2004. Os nativos da ilha haviam se mudado para um lugar mais alto antes do desastre acontecer – quase como se soubessem que a onda gigantesca estava chegando. Habitantes de ilhas próximas foram muito afetados pelo tsunami, mas depois de várias expedições de reconhecimento aéreo, foi constatado que os sentineleses não tinham sido afetados.

Fontes: 1 2 3 4

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