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Heligoland: a ilha que os britânicos tentaram destruir

Heligoland: a ilha que os britânicos tentaram destruir

No final da Segunda Guerra Mundial, o exército britânico tinha um enorme excedente de munições e explosivos, que eles precisavam se livrar de qualquer jeito. Sugeriu-se que o excesso de munição poderia ser utilizado para experiências sísmicas através da criação de explosões controladas para gerar ondas sísmicas com intensidade comparável aos produzidos por pequenos sismos. Só que era impraticável realizar essas experiências dentro da Inglaterra e lugares do tamanho das explosões planejadas eram escassos e os poucos lugares disponíveis causaria dano às propriedades próximas. Então, eles se voltaram para a Alemanha.

A maior guerra da história humana com a Alemanha tinha terminado e o território alemão sendo disputado entre os aliados e os soviéticos e algumas situações dentro do território alemão poderiam ser feitas sem que ninguém desse importância uma vez que o governo alemão tinha se dissolvido. Em julho de 1946, um depósito de munição perto da cidade de Soltau, no norte da Alemanha, foi explodido produzindo ondas sísmicas que foram observados a distâncias de até 50 km. Mas os britânicos precisavam de algo maior. Então, eles começaram a se preparar para a mais poderosa explosão não-nuclear do mundo, o que eventualmente veio a ser conhecido como “Big Bang ou British Bang”, algo com “Estrondo Britânico”. O alvo: um pequeno arquipélago ao largo da costa alemã chamado Heligoland.

https://www.flickr.com/photos/lausvensson/8628468384/

Heligoland é um pequeno arquipélago localizado a cerca de 46 km ao largo da costa alemã no Mar do Norte. É composto por duas ilhas – a primeira de nome Hauptinsel, com uma área de aproximadamente um quilômetro quadrado, tendo um pequeno povoado com uma praça central, e a segunda, uma ilha desabitada menor ao lado chamada ‘Düne’ com uma pequena pista de pouso no centro.

Devido à sua localização estratégica, Heligoland tem uma longa história militar. Originalmente ocupada por pastores Frisian e pescadores, a ilha estava sob o controle dos duques de Schleswig-Holstein em 1402 e tornou-se uma possessão dinamarquesa em 1714. Em 1807, durante as guerras napoleônicas, Heligoland foi ocupada pela frota britânica e formalmente cedida à Grã-Bretanha em 1814. Em 1890, a ilha foi transferido para a Alemanha em troca de Zanzibar e outros territórios africanos.

Crédito da foto: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Birdseye_view,_Helgoland,_Germany-LCCN2002713849.jpg

Ilustração de Helgoland, entre 1890 e 1900

Crédito da foto: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:N.E._Point,_Helgoland,_Germany-LCCN2002713861.jpg

Ilustração de Helgoland, entre 1890 e 1900

Numa determinada época da história, os civis foram evacuados da ilha, e a mesma se transformou numa importante base naval alemã, com cais, docas e um porto, bem como muitas fortificações subterrâneas e baterias antiaéreas. A região foi o cenário da “Batalha de Heligoland Bight” em 1939, resultado de tentativas de bombardeio britânico em navios da marinha alemães naquela área e a ilha foi freqüentemente bombardeiada por aviões britânicos. Quando a Primeira Guerra Mundial terminou, os ilhéus voltaram para a ilha que se tornou uma popular estância turística para a elite alemã. Durante a era nazista, a ilha virou novamente uma base naval e foi de suma importância aos bombardeiros aliados para o fim da II Guerra Mundial.

Com a derrota da Alemanha, a população foi evacuada, e os britânicos decidiram destruir as fortificações restantes, bunkers subterrâneos e base de submarinos por jateamento de profundidade, e, ao mesmo tempo quebrar o recorde de tamanho de explosões para a ciência.

Em 18 de abril de 1947, a Marinha Real detonou 6.700 toneladas de explosivos criando uma nuvem de cogumelo negro que subiu 2.000 metros. Pessoas no continente a 60 km foram avisados ​​para abrirem as janelas para evitar a implosão e a explosão foi registrado na Sicília, há mais de 1000 km de distância. O “Guinness Book of World Records” lista a explosão de Heligoland como a maior explosão não-nuclear do mundo e a única na história.

Crédito da foto: https://nickoftimemktg.wordpress.com/2015/04/18/royal-navy-on-this-day-18-april/

A explosão em Heligoland

A detonação que liberou energia equivalente a um terço do que foi liberada pela bomba atômica de Hiroshima, sacudiu a ilha principal e criou uma enorme cratera, mas os britânicos acreditavam que a ilha seria totalmente destruída. A ilha sobreviveu, mas a sua forma física foi alterada para sempre. Sua ponta sul cedeu na enorme cratera que se formou, e atualmente é um ponto turístico famoso.

A Real Força Aérea continuou a usar a ilha como alvo de bombardeio até que foi devolvida para a Alemanha Ocidental em 1 de Março de 1952. A cidade, o porto, e o balneário em Düne foram reconstruídas, e Heligoland voltou a ser uma estância de férias e atualmente mais de 500.000 turistas visitam a ilha por ano.

Crédito da foto: https://www.flickr.com/photos/lausvensson/8628468448/

Crédito da foto: https://www.flickr.com/photos/badboy_of_maths/347876532/

Crédito da foto: http://www.bremen-tourism.de/heligoland

Crédito da foto: https://www.flickr.com/photos/emoisland/14595311943/

Crédito da foto: http://www.bremen-tourism.de/heligoland

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Fonte: 1

“Verba volant, scripta manent” (As palavras voam, os escritos permanecem)

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Me chamo Julio Cesar, e moro no litoral de Santa Catarina. Sou o idealizador do site Magnus Mundi, que tem como objetivo descrever lugares curiosos, estranhos ou inóspitos, bem como lendas, eventos inusitados pelo mundo afora.

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